<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058</id><updated>2011-06-08T03:44:35.819-03:00</updated><title type='text'>As esferas da experiência cotidiana</title><subtitle type='html'>Caros visitantes, esse blog surgiu com a idéia fundamental de falarmos das fortuitas experiências que vivemos no cotidiano. Não queremos falar apenas de teoria, mas utilizá-la para analisar os fenômenos que acontecem na esfera empírica da vida cotidiana. O que postaremos aqui tem conteúdo que parte das experiências que vivemos no nosso dia a dia e que, por ventura, levantaram alguma questão acadêmica/epistemológica, política/cultural ou expressiva/sentimental.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Rafael Arantes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12909663327175774884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>43</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-2261710691250238844</id><published>2009-04-26T20:47:00.004-03:00</published><updated>2009-04-26T21:17:46.393-03:00</updated><title type='text'>Até que a morte (ou aquele seu namorado chato) nos separe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acho que ninguém duvida da existência de uma “química” quando estamos tratando de relações amorosas. É a ausência dela que faz com que você não queira tirar a roupa para aquele cara super legal com quem você tem milhares de afinidades e o papo mais gostoso do mundo, e que também faz você se perguntar, depois do ato consumado, “o que foi que eu vi nesse imbecil?”. Já a existência de uma “química” da amizade é novidade para mim. Na verdade eu nunca tinha pensado muito no assunto até recentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca tive muitos amigos e sempre achei que o que me diferenciava das minhas colegas de escola populares era simplesmente um tremendo azar. Durante algum tempo eu fiquei imaginando que talvez eu fosse uma chata. Mais tarde achei mais interessante pensar simplesmente que eu era melhor, mais esperta e mais inteligente que as outras pessoas, e que, por isso, era eu que não conseguia me interessar por elas. Bem, eu não sei se eu sou chata ou especial, mas é verdade que sou tímida e não tenho muito tato com as pessoas. Mesmo com o advento do mundo pós-faculdade e a transformação dos nerds em pessoas interessantes, eu continuo não sendo a mais carismática das pessoas. Quando eu faço “sucesso social”, considero simplesmente que estou em uma fase de boa sorte. Mas amigos mesmo, daqueles que você chama para serem seus padrinhos de casamento, eu quase não tenho – e até hoje realmente não descobri se é porque eu não estou interessada nas pessoas ou se é porque eu não sou interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convenhamos, a maior parte das pessoas que eu conheço é no mínimo entediante. Podem me acusar de não dar chance ao resto do mundo, eu sei que não dou mesmo, mas mesmo nos casos em que eu sou obrigada a conhecer a pessoa de fato por conta da convivência forçada, a conclusão a que eu chego é quase sempre a mesma: a cada dez pessoas que eu conheço quatro são irremediavelmente burras e impossíveis de suportar, por mais gentis e boazinhas que sejam, e dentre essas quatro, duas provavelmente ainda terão algum outro defeito fatal, como um cheiro estranho ou um problema de dicção. Com duas pessoas você terá agradáveis conversas de 5 minutos que nunca passarão disso, e com outras três você irá morrer de rir e passar horas agradáveis no bar. Essas últimas são aquelas com quem você perderá o contato quando mudar de emprego ou de namorado. E, finalmente, a última: aquela que irá entender aquelas suas piadas que ninguém mais entende, que vai fazer você descobrir coisas novas sobre si mesmo e de quem você irá lembrar na hora de escolher seus padrinhos de casamento. Essa é a pessoa que entra de verdade na sua vida. E olha que essa é uma perspectiva otimista. Talvez você encontre uma pessoa dessas a cada 20, ou a cada 50. Mas enfim, é com esse ser adorável, que vez ou outra você vai querer esganar, que você vai sentir a “química”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais ou menos como um namoro no fim das contas. Não basta a afinidade, porque afinidade você tem com um monte de gente, tem que ter aquele “tchan”. Aquilo que as vezes nem você entende. A diferença é que você pode ter mais de um amigo, porque o resto é tudo igual. Tem ciúmes, tem expectativa, tem traição, a gente sofre com a distância, a gente mete o dedo na ferida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lado bom de ficar mais velho é que a gente consegue lidar bem com isso tudo. Eu mesma não me importo de passar o intervalo entre as aulas da minha segunda faculdade sozinha. E confesso que não estou me esforçando mesmo, pois as pessoas em geral me são tão indiferentes que nem passa pela minha cabeça tentar uma aproximação. A gente também começa a dar mais valor aos amigos de verdade e aprende a diferenciá-los dos amigos de bar. E não ficamos mais tristes ao constatar que algumas amizades nunca irão além da mesa, pelo contrário. E também não temos mais que definir um “melhor” amigo, aquele que fica com o primeiro pedaço do bolo. Afinal, cabe gente à beça no altar da igreja. E, para os desinformados, eu estou falando dos padrinhos, não dos noivos – esses eu continuo achando que só podem ser dois, um do meu lado esquerdo e outro do meu lado direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Meus votos de felicidade para minha irmã e meu cunhado que vão se casar daqui a alguns meses e que, entre outras pessoas, inspiraram essas divagações. Os dois com certeza serão meus padrinhos de casamento (algum dia). E assistam “Eu te amo, cara”. É sessão da tarde, mas até a sessão da tarde é válida de vez em quando, e foi a cereja do meu sundae.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-2261710691250238844?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/2261710691250238844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=2261710691250238844&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/2261710691250238844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/2261710691250238844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2009/04/ate-que-morte-ou-aquele-seu-namorado.html' title='Até que a morte (ou aquele seu namorado chato) nos separe'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-5635096199689984045</id><published>2009-01-22T19:15:00.004-03:00</published><updated>2009-01-22T19:56:23.672-03:00</updated><title type='text'>Duas coisas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Escrevo porque fui incomodado. O texto anterior, apesar de não ser lá muito surpreendente para quem já teve oportunidade de dividir anseios com a autora (rs), me fez pensar numa série de coisas sobre minha própria vida, minhas metas e meus sonhos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei quantos de vocês concordam, mas eu tenho uma teoria: por mais que definamos os rumos a seguir, tracemos planos e implantemos em nossas vidas planejamentos estratégicos voltados para o fim de ter dois filhos lindos e uma casa na praia, o que define em que beco vamos parar é o bendito acaso. Sim, aquele fato isolado que acontece porque você deixou de planejar uma ínfima parte de seu dia, esse pequenino fato definirá as mudanças nos seus planos, que por sua vez o levarão a um novo momento casual que mudará sua vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu poderia citar inúmeros exemplos, mas como seriam de minha própria vida - e sendo ela levemente confusa - a teoria não estaria fundamentada. Vamos lá: quantos de vocês conheceram um grande amor numa festa que não queria ir? quantos foram parar num dado lugar por conta da insistência de um amigo e lá descobriram uma oportunidade que mudou sua vida? Quantos optaram pela sociologia (ou pela química orgânica) por terem assistido a uma aula, uma única aula, que deu sentido a todo o conjunto de informações que você ja assimilara durante a trajetória? Todas essas coisas aconteceram comigo e, alimentado pela curiosidade inquietante que incomoda quase todos aqueles que tiveram um contato mais ou menos demorado com as ciências sociais, procurei investigar as vidas alheias. Fiquei surpreso ao saber que meu chefe se tornou engenheiro porque cancelou uma viagem à europa na véspera do embarque, e que meu tio conheceu sua mulher por causa de um pneu furado... para ficar nos exemplos mais emblemáticos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isso me faz discordar de Fernanda. Não acho que a pretensão seja suficiente para vencer o poder do acaso. Por exemplo: eu não gosto dos livros de Paulo Coelho. Se o cara que leu o primeiro ensaio de Paulo Coleho e abriu caminho para o lançamento do seu primeiro livro pensasse como eu, nada disso teria acontecido, ele poderia encher o saco ou arrumar um emprego, ou ainda ser aprovado num vestibular para física e descobrir que os estudos sobre a relatividade eram sua verdadeira "vocação". É só para provocar um ponto, posso desenvolver melhor minha linha de raciocínio depois, mas agora quero falar de mais uma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É incrível como a mediocridade tem vencido a genialidade nos tempos atuais. É certo que os gênios, quase sempre, têm sua genialidade reconhecida muito tempo depois de descerem os sete palmos de chão. Porém, como vivo neste tempo, e por isso temo sentir tudo incrivelmente mais absurdo nesse tempo, por ser o único em que viverei, defendo que a vitória da mediocridade têm sido ainda mais contundente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sou a favor da completa adoração dos gênios. Isto porque eu não sou um gênio, eu reconheço que não o sou, e por isso admito, com relutância, que só é possível levar a vida mais ou menos confortável que tenho hoje porque existiriam e continuam a nascer gênios, grupo do qual não faço parte, o que me leva a pensar que minha existência é um favor. Um favor concedido pelos gênios.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por pensar assim, me irrita profundamente que pessoas mediocres sejam capazes de destruir a reputação e a obra de gênios. Fico furioso quando vejo, por exemplo, Caetano Velloso tendo de se defender de críticas de um fofoqueiro qualquer que escreve anonimamente numa coluna de jornal. Ou quando vaiam João Gilberto. Até mesmo quando condenam Ronaldo por ter dormido com três travestis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deixo aqui meu repúdio à repressão a genialidade. Uma sociedade onde se ridiculariza os gênios, tende ao fim. Existimos graças a benevolência dos gênios, seus infiéis!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-5635096199689984045?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/5635096199689984045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=5635096199689984045&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/5635096199689984045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/5635096199689984045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2009/01/duas-coisas.html' title='Duas coisas'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-4159997391408410086</id><published>2008-12-29T22:41:00.001-03:00</published><updated>2008-12-29T22:50:38.870-03:00</updated><title type='text'>Paulo Coelho, músicos, sociólogos, espiões americanos e o fato social</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na onda de biografias de um amigo, sua versão pessoal de voyeurismo, e embora eu prefira assistir pessoas ao vivo e a cores, me deparei com Paulo Coelho. Até agora existe um hiato para mim, pois Paulo Coelho tem apenas 17 anos e a certeza de que quer ser um escritor. Famoso. Todos nós sabemos que é isso o que ele de fato se torna, mas no meio tempo ele se torna muitas outras coisas. Lembro-me de assistir a um documentário sobre a vida de Isabel Allende e de ouvi-la dizer que ela só de fato considerou-se uma escritora quando publicou seu segundo livro e quando A Casa dos Espíritos, seu primeiro livro, já era um sucesso incontestável. Foi só então que ela teve coragem de largar o emprego de professora. O sociólogo Howard Becker, em um dos relatos mais interessantes que já li, conta como o que realmente queria de sua vida era ser... músico. Seu hobby não era o piano, mas a faculdade. A questão é que ele veio a ser um sociólogo melhor do que músico e em algum ponto de sua vida teve que decidir, em suas próprias palavras, se queria ser o músico mais instruído da rua de bares onde tocava nos finais de semana ou um sociólogo que gostava de música. Optou pela segunda opção, mas especializou-se nos estudos de carreiras e começou estudando as dos músicos que tocavam com ele na vida noturna de Chicago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais perto de casa, todos nós conhecemos histórias daquele amigo que compunha na época do colégio, escrevia poesias ou participava do grupo de teatro. Mas quantos deles levaram isso adiante? Eu me lembro de ouvir colegas de escola dizendo que sonhavam em ser dentistas, médicos e advogados, e ficava em dúvida se eles não tinham sonhos ou se tinham uma imensa sorte de sonharem sonhos que me pareciam muito mais possíveis do que viver de escrever. É bem verdade que, enquanto esses colegas se dedicaram ao caminho óbvio para atingir o que queriam, ou seja, passar no vestibular e terminar a faculdade, eu não me dediquei ao caminho óbvio para o meu sonho: escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu baú secreto, as últimas tentativas de poesia estilo “batatinha quando nasce” e prosa impaciente datam de 2003, coincidentemente, o ano em que entrei na faculdade de Ciências Sociais. As desculpas para tal variam entre falta de tempo, de inspiração... Os livros que fui obrigada a ler durante o curso são injustamente acusados de grandes vilões, pois tomavam todo o tempo que eu gostaria de gastar lendo romances.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico me questionando então qual seria a diferença entre um ex-namorado que sonhava em ser maestro e que acabou virando espião da Força Aérea americana e um Paulo Coelho pretensioso e obcecado. A história do ex sempre me pareceu estapafúrdia, mas alguém que leu a obra de Becker diria que ele foi infeliz? E será que o ex realmente sonhava em ser maestro? E é claro que Becker amava seu piano, mas será que ele via a perspectiva de passar o resto da vida tocando como algo encorajador?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, como no caso de Becker, parece que ele nunca planejou nada. As coisas foram acontecendo. No caso de Paulo Coelho, talvez porque a biografia que estou lendo se chame “O Mago”, existe uma idéia de destino. Ele sempre soube que o que queria era ser escritor e enquanto não atingiu essa meta, não se sentiu satisfeito. Evidentemente que ninguém pode dizer que, ao escolher uma faculdade de sociologia, por mais que isso não lhe parecesse importante à época, Becker não estava escolhendo seu destino. Se a música fosse a única e absoluta meta, não haveria porque se desviar do caminho. Fico me perguntando então se nós que não cumprimos nossos destinos de infância fomos vítimas do azar, da nossa falta de fé e persistência ou se, afinal de contas, não há nenhum destino ou vocação a ser seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as nossas metas também estão não morrer de fome, atender às demandas da sociedade, comprar uma casa de praia, ter um plano de aposentadoria privada, jantar fora duas vezes por semana e conhecer os Lençóis Maranhenses. Elas também incluem encontrar o príncipe ou princesa encantada e ter dois filhos lindos que sempre saberão o que querem e que serão um sucesso absoluto em qualquer coisa. Essas são metas e, perto delas, coisas como ganhar o Oscar de melhor roteiro original ou entrar para a Academia Brasileira de Letras se tornam sonhos. Viver de escrever pode até parecer alguma coisa plausível para alguns, mas não para alguém que não conhece ninguém que faça isso, como é meu caso. Já casa de praia e dois filhos, um monte de gente tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença entre o ex-namorado espião e Paulo Coelho aos 17 anos torna-se então gritante: a pretensão (ou convicção, como preferirem). Contra todas as possibilidades, escrever não era simplesmente um sonho, era uma meta. E mais ainda, a meta não era simplesmente escrever, era se tornar um grande escritor. Becker atingiu sua meta de ser músico, mas será que algum dia ser um grande músico foi mais que um sonho para ele? De qualquer forma sua desistência musical o tornou um grande sociólogo ou, na minha opinião, um dos grandes sociólogos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fico aqui imaginando onde é que eu estarei aos 60 anos, quando aos 24 eu tenho certeza de que não quero ser socióloga, um medo imenso de ser uma péssima escritora, uma matrícula para um curso de direito que começa daqui a um mês e esse sino martelando em meus ouvidos que esse não é o caminho que eu deveria estar seguindo. É que deixar o trompete pelo piano ou a sociologia pelo direito é tão mais aceitável que abandonar o curso de engenharia pelo violão. E não tem ninguém lá fora dizendo isso não. Somos nós mesmos. O fato social em sua melhor expressão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-4159997391408410086?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/4159997391408410086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=4159997391408410086&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/4159997391408410086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/4159997391408410086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2008/12/paulo-coelho-msicos-socilogos-espies.html' title='Paulo Coelho, músicos, sociólogos, espiões americanos e o fato social'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-1447872614749596477</id><published>2007-12-14T23:01:00.000-03:00</published><updated>2007-12-15T20:52:27.731-03:00</updated><title type='text'>Coisas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De cabeça, sem abrir a porta do armário para olhar, eu posso dizer todas as coisas que eu tenho. São nove vestidos, eu contei. Uma enorme coleção de camisetas, 30, da época em que eu as usava. Ainda adoro pijamas. 99% de chance de que, se eu estiver em casa, a qualquer hora do dia, estarei usando pijamas. Mas já não compro nenhum há alguns meses. Tenho uma caixa de cartas das quais eu nunca me desfiz e que incluem bilhetinhos trocados em sala de aula há 08 anos atrás. Guardo a agulha com a qual furei meu piercing no umbigo ainda no colégio (guardo?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que não posso ter muitas coisas, pois acabo sempre usando as mesmas. O vestido azul de borboletas e o brinco de palhinha são dois bons exemplos, mas até que tenho feito um bom trabalho em aposentá-los. Este semestre resolvi me livrar das caixinhas de lente de contato, uma para cada visita a oftalmologista. Ao longo de oito anos juntei mais do que eu jamais iria usar. Até que tentei manter uma de cada cor, mas no final das contas acabei ficando mesmo com as velhas companheiras, aquelas branquinhas que vieram com os vidros de Renu. Os cigarros, dei para esconder de mim mesma, mesmo agora que todo mundo já sabe que eu fumo (sim, eu fumo, admito). Algumas coisas me arrependi de não ter guardado, como uma das provas de Formação da Sociedade Brasileira, ou o anel que foi alvo de disputa entre eu e meu primeiro grande amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente acaba sempre guardando o mesmo tipo de coisa, como as pessoas, e a gente as guarda mesmo muito tempo depois de não precisar mais delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de coisas para guardar coisas. Descobri que as canecas das cidades que visitei acabam servindo para isso. Uma delas, que já tinha sido remendada por um amigo, joguei no chão esses dias. Ela quebrou em muitos lugares, mas onde a cola Super Bond pegou, ela ficou. Guardei os cacos para me lembrar de alguma coisa que ainda não sei bem o que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia é fácil receber notícias por um grupo de emails e ao mesmo tempo não ter para quem ligar quando acontece algo de bom ou algo de ruim. São sempre aquelas mesmas duas caixinhas brancas que vieram com o Renu. Passa um monte de gente, mas no final ficam sempre aqueles mesmos velhos pijamas rasgados na gaveta. Aqueles que a gente tem que quase arrancar do corpo de vez em quando para jogar na máquina de lavar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci muita gente nesses últimos tempos, mas quase todo mundo foi para a sacola de coisas para o porteiro. As amigas de infância viraram amigas de outras pessoas. Algumas pessoas fizeram de tudo, mas mesmo assim a gente deixou elas partirem. Com alguns amigos não se canta mais música sertaneja. Vieram namorados, empregos, mestrados, planos... E eu acabo sempre ligando para as mesmas pessoas. A gente acaba tendo muitas roupas de festa e poucos pijamas. Às vezes isso me deixa triste, às vezes me faz bem. Eu gosto de pijamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chega o fim do ano, dá vontade de jogar tudo fora e começar de novo, quando o ano foi ruim, ou de erguer um altar para cada ingresso de cinema e papel de bala, quando o ano foi bom. Faz parte. Desejo pijamas de festa a todos que passarem por aqui.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-1447872614749596477?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/1447872614749596477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=1447872614749596477&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/1447872614749596477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/1447872614749596477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2007/12/coisas.html' title='Coisas'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-7621926815232762852</id><published>2007-11-08T16:02:00.000-03:00</published><updated>2007-11-08T23:06:34.374-03:00</updated><title type='text'>Entre o mercado e a crítica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Serei acusado de plágio. Mas a situação pede que eu o faça, da forma mais descarada possível. O título acima foi ouvido por este que vos escreve pela primeira vez na última quinta. Na segunda,ajudou-me a compreender o maior fenômeno sociológico do meu dia.Todas as segundas e quartas tenho passado por um curso intensivo de doutrinação marxista rasteira. Nada mais natural que isso seja obrigatório, condição &lt;em&gt;sine equa non&lt;/em&gt; para que eu consiga minha suada licenciatura, e possa garantir, pelo menos, o salario de fome de um professor. "marximo rasteiro" e "obrigatório" ficam bem juntos, não acham? Eu também.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na sessão tortura desta segunda, fui surpeendido por uma bronca. Nossa professora-lider revolucionária, indignada, disse-nos em alto e bom som que éramos todos uns alienados por não estarmos por dentro do "protesto", não sermos contra o Reuni, não ocuparmos a reitoria e não estarmos dispostos a pegar em fuzis e mudar o mundo...Muito previsível, posto que é comum que os líderes da "revolução" expliquem o posicionamento diferenciado - qualquer que seja ele - como alienação, simples assim.O que me incomodou a ponto de me fazer superar a preguiça numa segunda-feira, pegar caderno e caneta e começar a escrever esse texto durante o próprio fenômeno foi a reação minha e de meus colegas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nossa líder exaltava o movimento estudantil de sua época, a ditadura, Che, Zapata, Rita Lee, entre outros, e absolutamente ninguém se empolgava. Ela, oradora experiente, partiu pro ataque: constrangeu cada individuo a dizer porque diabos não estava "na luta". As respostas? absolutamente homogêneas, do tipo: "acho importante, mas não quero, não posso, não acredito no movimento estudantil organizado em prol da revolução". Claro que quase nenhuma foi assim tão elaborada. Resolvi sair do meu marasmo e explicar o que sentia à minha desiludida interlocutora: "er... assim...eu acho que o Reuni tem coisas boas e ruins... Mas os estudantes não aceitam mais que decidam por eles se as coisas são boas ou ruins, há uma mudança de concepção, e isso gera acomodação...". Fui interrompido. Absurdo, completo absurdo. Ela concordava. A sociedade individualista impedia as ações coletivas. Ah, que monstro esse capitalismo...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sei que você, leitor, entendeu que o que eu quis dizer não foi nada disso. E digo até que ela também entendeu. Mas a "crítica", nesta forma míope, sobrevive por reproduzir seu discurso contra o mercado, e pelo apoio que este mesmo lhe dá, numa contradição interessante. Explico. Segundo a monografia de um amigo meu, os jovens de hoje estão entre o mercado e a "crítica". Talvez eu esteja sendo infiel à formulação original ao entender a "crítica" como as velhas formas de manifestação coletiva, apoiadas no paradigma das classes sociais, característica do século passado, entre elas o movimento estudantil. Como esta "crítica" não contempla mais esse universo de demandas múltiplas, os jovens se afundam no mercado, e deixam para heróis voluntariosos e, digamos, limitados intelectualmente, eternizarem os símbolos revolucionários e ocuparem reitorias. Assim o jovem se livra do peso de criticar, e os heróis podem criticar o mercado e o FMI sem serem indagados (e ouvidos).Como eu cheguei a essa conclusão? Explico, também.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após notar que a professora transformara completamente a minha fala, eu me indignei. Quis mostrar que o mundo mudou; que os jovens de hoje não se sentem representados pelas organizações estudantis; que a política institucional tem sido objeto de piadas, e somente delas, para os jovens; que eles resiginificam seus interesses em outros meios e canais, dentre os bilhares que surgiram desde o tempo dela, enfim, eu tinha um mundo pra falar. Mas tinha um joguinho legal no meu celular, tão colorido, divertido, empolgante, que eu deixei ela falando lá e fui jogar. Sim, eu fiquei com o mercado. Mas não sou contra a crítica não. Sigam criticando que eu apoio daqui, da frente do meu PC...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-7621926815232762852?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/7621926815232762852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=7621926815232762852&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/7621926815232762852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/7621926815232762852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2007/11/entre-o-mercado-e-crtica.html' title='Entre o mercado e a crítica'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-1128534850064688114</id><published>2007-04-20T08:47:00.000-03:00</published><updated>2007-04-20T08:52:23.512-03:00</updated><title type='text'>Questões de método, teoria e prática...</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Caros amigos, depois de muito tempo sem escrever no blog, me vejo tomado por uma inspiração de novamente fazê-lo. E não é uma inspiração qualquer. Depois do meu 8º semestre no curso de Ciências Sociais, acho que compreendi ou estou no caminho de compreender o que é, de fato, esta tão polêmica &lt;i style=""&gt;Estrutura Social&lt;/i&gt;. Sempre tive muitas dúvidas a seu respeito. A estrutura social são as normas gerais de condutas, a moral e toda aquelas regras tácitas e explícitas; são a cultura e os hábitos, costumes e a organização simbólica; ou são as posições que cada indivíduo ou grupo social ocupa na sociedade, a exemplo da divisão social do trabalho ou da estrutura de classes? Penso ter desenvolvido um pequeno esquema que resume o que seria a Estrutura Social incluindo essas noções e mais algumas outras.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Esse esquema foi desenvolvido na aula de Antropologia Simbólica, ministrada por Tromboni, e a partir dos &lt;i style=""&gt;insights &lt;/i&gt;que a mesma e o mesmo vêm me proporcionando. Claro está que, como qualquer esquema, este também é arbitrário e pode conter defeitos de realidade, por assim dizer, ou de inteligibilidade. De fato, acho que ele peca pela simplicidade – o que também pode ser uma qualidade – e pela tentativa de ser pedagógico, admito que para mim mesmo essa necessidade. De qualquer forma, acredito que a partir do esquema podemos compreender melhor que é Antropologia, Sociologia e Ciência Política, bem como tornar mais claro o que é o método estruturalista e a hermenêutica. Como ele contém setas e componentes gráficos, fiz um desenho um tanto quanto simplório, mas que me parece suficiente para os objetivos desta postagem. Quero deixar claro, entretanto, que a ordem do esquema poderia ter sido alterada e colada de baixo para cima. Todavia, assim o fiz, pensando em axiomas básicos que tornam possível a existência da próxima etapa, embora saiba que um momento não existe sem o outro e que estão todos em relações constantes. Pois bem, segue o famoso e, a partir de agora, me permitam ser um pouco mais formal e escrever na 2º pessoa do plural.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_sL_pKPqveuI/RiiooZWq9UI/AAAAAAAAAA0/Nt_p-VFu4xY/s1600-h/Estrutura+Social.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 412px; height: 297px;" src="http://bp1.blogger.com/_sL_pKPqveuI/RiiooZWq9UI/AAAAAAAAAA0/Nt_p-VFu4xY/s400/Estrutura+Social.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5055475993677591874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                        &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;       &lt;/span&gt;&lt;!--[if gte vml 1]&gt;&lt;v:shapetype id="_x0000_t75" coordsize="21600,21600" spt="75" preferrelative="t" path="m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe" filled="f" stroked="f"&gt;  &lt;v:stroke joinstyle="miter"&gt;  &lt;v:formulas&gt;   &lt;v:f eqn="if lineDrawn pixelLineWidth 0"&gt;   &lt;v:f eqn="sum @0 1 0"&gt;   &lt;v:f eqn="sum 0 0 @1"&gt;   &lt;v:f eqn="prod @2 1 2"&gt;   &lt;v:f eqn="prod @3 21600 pixelWidth"&gt;   &lt;v:f eqn="prod @3 21600 pixelHeight"&gt;   &lt;v:f eqn="sum @0 0 1"&gt;   &lt;v:f eqn="prod @6 1 2"&gt;   &lt;v:f eqn="prod @7 21600 pixelWidth"&gt;   &lt;v:f eqn="sum @8 21600 0"&gt;   &lt;v:f eqn="prod @7 21600 pixelHeight"&gt;   &lt;v:f eqn="sum @10 21600 0"&gt;  &lt;/v:formulas&gt;  &lt;v:path extrusionok="f" gradientshapeok="t" connecttype="rect"&gt;  &lt;o:lock ext="edit" aspectratio="t"&gt; &lt;/v:shapetype&gt;&lt;v:shape id="_x0000_i1025" type="#_x0000_t75" style="'width:407.25pt;"&gt;  &lt;v:imagedata src="file:///C:\DOCUME~1\Rafael\CONFIG~1\Temp\msohtml1\01\clip_image001.jpg" title="Estrutura Social"&gt; &lt;/v:shape&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !vml]--&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O primeiro elemento é a “estrutura básica da unidade psíquica do homem”. Pensamos que este elemento se mostra fundamental na constituição da estrutura social, uma vez que ele faz parte do aparelho biológico do homem e do qual todas as emanações de elementos simbólicos e organizadores podem aparecer. É desta tal unidade que compreendemos que todos os homens são iguais em potencial, a despeito de sua cultura, grupo ou etnia. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O segundo elemento é a estrutura de relações lógicas. Esta estrutura mantém com a primeira uma relação inata. Isso quer dizer que ainda estamos em um momento de mediação biológica da estrutura social. Entretanto, o que diferencia a “estrutura de relações lógicas” da unidade psíquica do homem é o grau de sofisticação e realização daquela. Enquanto que a primeira do esquema de configura em um elemento que proporciona, por assim dizer, uma potencialidade a todos os homens, a segunda se configura como a realização primeira deste potencial. Ainda estamos no âmbito do aparelho biológico e isso significa que todos os homens têm um inconsciente regido por operações lógicas comuns.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Em terceiro lugar, emerge a estrutura simbólica, &lt;i style=""&gt;i.e&lt;/i&gt;, a cultura. As definições de cultura são muitas, mas o importante é compreender que a cultura é um sistema simbólico, de relações entre elementos objetivos e subjetivos, significantes e significados, tendo, entretanto, estes últimos uma dinâmica própria, não passível de definição clara, dos quais emergem uma gama de relações, interpretações, significações e re-significações individuais, grupais, societais. A cultura mantém com a estrutura de relações lógicas uma relação inconsciente, na medida em que ela se organiza a partir de operações lógicas comuns entre todos os homens, mas é essa organização que se diferencia de um grupo para o outro, enfim, de uma cultura para outra. É o arranjo que define culturas diferentes, entretanto, as operações lógicas que subjazem essas operações são as mesmas. Podemos dizer que a relação entre essas duas dimensões se dá no nível inconsciente porque não há dialogo racional e consciente na relação das operações lógicas com o emergir de uma cultura.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Continuando, cada cultura, dependentemente do seu arranjo, constitui uma outra estrutura, a saber, a estrutura de posições ou papéis sociais. Essa estrutura é aquela que representa as posições que cada indivíduo, grupo, nação ou quaisquer outras categorias analíticas ocupam nas relações sociais. Podemos observar que essa estrutura de posições pode ser caracterizada a partir de uma série de fenômenos. Classicamente, foram abordadas as estruturas de classe e a divisão social do trabalho. Todavia, podemos dividir a estrutura em várias posições, pobres e ricos, negros e brancos, homens e mulheres, heterossexuais e homossexuais, professores e alunos, etc. A depender do estudo que se possa fazer, a estrutura de posições sociais pode ser caracterizada de diversos modos diferentes e de acordo com os mais variados objetivos. Entretanto, acreditamos que a estrutura de classe a divisão social do trabalho continuam sendo as estruturas de posições e papéis mais utilizados nas Ciências Sociais. A partir desta estrutura, passamos a ter relações dialógicas entre as estruturas precedentes e as atuais, por assim dizer. Isso quer dizer que essas relações não são mecânicas, ou seja, dependem de elementos simbólicos, da racionalidade do homem, do seu interesse e da forma como ele significa e re-significa a realidade social, os papéis sociais e cosmologia que guia – e guiar não quer dizer determinar – as suas experiências.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Por fim, incluímos aqui a ação social. Esquecida pelos estruturalistas e idealizada talvez pela hermenêutica, consideramos a ação social como parte &lt;i style=""&gt;fundamental&lt;/i&gt; da Estrutura Social. Sem ela, não poderia haver elementos que dessem vida a qualquer das estruturas. Ação Social, onde há espontaneidade, onde há criatividade, onde há racionalidade, mas também onde há elementos arraigados, coerções, elementos morais. A ação não é determinada por nenhuma das outras estruturas, mas também não pode existir sem que as estruturas existam. Se as normas não conseguem abarcar todas as experiências cotidianas vividas pelos atores sociais, a Ação Social também não pode ocorrer sem nenhuma fundamentação com a qual possa dialogar. A Ação Social não apenas dialoga com a estrutura de posições, mas também com a estrutura simbólica. É a partir dela que se constroem as duas estruturas e a partir das duas estruturas que se constrói a Ação Social. São produção e reprodução da vida social. São elementos unos, que não pode ser separáveis a não ser do ponto de vista pedagógico. A Ação Social mantém com as &lt;i style=""&gt;outras &lt;/i&gt;estruturas a relação dialógica por excelência, exercendo toda a potencialidade reflexiva do ser humano. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Dissemos-lhes, anteriormente, que a partir deste esquema, seria possível compreender melhor o que é a Sociologia, a Antropologia e a Ciência Política. Acreditamos que podemos, pelo menos, clarear essas diferenças, mas não do que é cada ciência, mas sim do que tem sido. Essa explicitação pode ser bastante controversa na medida em que cada ciência mantém abordagens diferentes dentro do seu escopo, a depender, principalmente, do referencial teórico-metodológico, ou seja, do prisma com o qual a realidade vai ser lida. Não podemos, entretanto, confundir objeto com método, mas, &lt;i style=""&gt;grosso modo&lt;/i&gt;, acreditamos que o objeto pode ser descrito pela importância de cada dimensão do esquema para cada ciência e o método pela relação escolhida para abordar estas dimensões. De qualquer forma, estaremos lidando com as definições clássicas e simples, por vezes simplórias, de cada uma destas ciências, apenas com o intuito de situar suas diferenças. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Pois bem, de uma maneira geral, acreditamos que a Antropologia talvez seja, das três, a ciência mais completa e mais ampla. A antropologia parece abordar as cinco dimensões da Estrutura Social. Na verdade, acreditamos que a Antropologia, a despeito de suas grandes pretensões, acaba por enfocar mais as estruturas de relações lógicas e as estruturas simbólicas. Estamos falando de Antropologia e não de Etnologia. Entendemos Antropologia como a Ciência que estuda o homem, principalmente através de sua estrutura simbólica, ou seja, a cultura. A Etnologia talvez se mantivesse, preferencialmente, dentro da relação entre as estruturas simbólicas, de posições e a ação social. A Antropologia estrutural e a hermenêutica se diferenciam pela relação que vão privilegiar dentro destas estruturas preferenciais. Podemos dizer, &lt;i style=""&gt;grosso modo&lt;/i&gt;, que a Antropologia estrutural, definitivamente, estuda a estrutura de relações lógicas e o sistema simbólico, compreendo a ação social como confirmador dessas operações, leis e formas e enfocando a relação inconsciente que esta tem com a cultura e estas operações. A Antropologia hermenêutica se foca mais nas relações dialógicas que se estabelecem entre a ação social, a estrutura de posições (sem aprofundar demasiadamente) e a estrutura simbólica. Não confundamos, porém, Antropologia Hermenêutica e Etnologia. A Etnologia parece tratar-se mais de um momento de campo, mais específico e a Antropologia Hermenêutica, mesmo se baseando nas mesmas relações, pretende, de alguma forma, compreender o homem na sua totalidade, dentro de relações sociais totais, o que não significa dizer coercitivas e sem espontaneidade ou liberdade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Quanto à Sociologia, a compreendemos, a princípio, como a definição clássica da relação entre indivíduo e sociedade. Isso nos remete, no nosso esquema, a ação social e a estrutura de posições. Acreditamos que a Sociologia tem sido, por excelência, a Ciência que estuda esta estrutura de posições em relação com a ação social. Dependendo do método escolhido, poder-se-ia focar mais na estrutura de posições (análises estruturais que deram origem a MacroSociologia), como é o caso do Marxismo, das obras de Durkheim e seus seguidores, do Funcionalismo, o Estrutural-Marxismo entre outras correntes. Ou poder-se-ia focar a Ação Social e todo o mecanismo individual e interacional que tornam possível a vivência cotidiana dentro de uma sociedade, como é o caso da Escola de Chicago, Fenomenologia, Etno-Metodologia, entre outras escolas (análises hermenêuticas, compreensivas ou interpretativistas que deram origem a MicroSociologia).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Por fim, acreditamos que a Ciência Política, definitivamente, pretende estudar a Estrutura de Posições e sua relação com a Ação Social de uma ótica específica. Compreendendo Ciência Política como a Ciência que estuda as relações de poder, principalmente dentro do âmbito do Estado e das Instituições Políticas consensuais de uma sociedade, fica claro que seu objeto de estudo se situa dentro da Estrutura de Posições, focando as posições decorrentes de poder &lt;i style=""&gt;instituído&lt;/i&gt; e tido como &lt;i style=""&gt;legítimo&lt;/i&gt;, pelo menos por uma grande parte dos atores, e privilegiando sua relação com uma a Ação Política. Em termos de método, salvo engano, acreditamos que a Ciência Política não venha trabalhando muito com a hermenêutica. Acreditamos que a análise estrutural da organização do Estado e das instituições prevaleça nesta Ciência até pelos motivos óbvios de que as Estruturas Políticas são as mais coercitivas e com as quais é mais difícil de dialogar. Isso não significa que não haja diálogo ou que o ator político seja determinado por estas estruturas. Por isso, a hermenêutica talvez possa ser usada, da mesma forma que na Sociologia, para estudar a relação entre a Ação Política e as estruturas institucionalizadas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;De uma maneira geral, definimos o método estrutural como aquele que se foca nas estruturas de relações lógicas, no sistema simbólico (apreendendo este como um sistema realmente) e nas estruturas de posições, argumentando que ele procura compreender a Ação Social a partir das estruturas subjacentes e inconscientes que guiam toda e qualquer espécie de experiência cotidiana. Definimos, também, hermenêutica como aquele método que pretende compreender a Ação Social, estudando os sujeitos sociais, suas motivações, sua subjetividade, as relações que travam com os outros sujeitos sociais nas suas experiência cotidianas e procurando compreender como é deste nível de relações que a sociedade e a estrutura emerge. Na nossa concepção, temos dois métodos importantes, mas que têm sido equivocadamente utilizados nas Ciências Sociais. O estruturalista ruim é aquele que leva em conta a Ação como mera repetição de normas gerais e a interpretação hermenêutica equivocada é aquela em que a subjetividade e o ator social são demasiadamente idealizados como se fosse possível viver sem qualquer tipo de orientação moral, cultural ou de papel social. Acreditamos que o verdadeiro método das Ciências Sociais é aquele da síntese. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Estamos em momento de síntese, não há mais lógica para que contradições continuem a ser perpetuadas apenas como forma de aumentar os privilégios políticos de cada grupo. A &lt;b style=""&gt;BOA&lt;/b&gt; Ciência Social é aquela que compreende que há, sim, estruturas anteriores, cristalizadas, por vezes, institucionalizadas e que qualquer ator social se vê as voltas com ela em todas as ações que impetra. Entretanto, essas regras são por demais gerais para normatizar todas &lt;i style=""&gt;as esferas da experiência cotidiana&lt;/i&gt; (Como diria este blog). O sujeito tem criatividade, tem liberdade, tem espontaneidade, tem relações e interpretações corpóreas, significa e re-significa, produz e reproduz a realidade que conformam, por excelência, a vivência deste ator no mundo. É o tão famoso Mundo da Vida. Não há quaisquer estruturas sem Mundo da Vida e não há Mundo da Vida sem quais orientações prévias.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Enfim, meus caros (agora falo em primeira pessoa), coloquei à análise de vocês esses &lt;i style=""&gt;insights&lt;/i&gt;. De fato, esta postagem tem por objetivo que minhas idéias passem pelo seus crivos. Elas ainda estão em maturação e, como melhor forma de objetivar idéias, decidi escrever para ver quais seriam as críticas e sugestões. Por favor, não temam em fazê-las. Acho que esta discussão, por demais teórico-metodológica para alguns, é importante para nossa formação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-1128534850064688114?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/1128534850064688114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=1128534850064688114&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/1128534850064688114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/1128534850064688114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2007/04/questes-de-mtodo-teoria-e-prtica.html' title='Questões de método, teoria e prática...'/><author><name>Rafael Arantes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12909663327175774884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_sL_pKPqveuI/RiiooZWq9UI/AAAAAAAAAA0/Nt_p-VFu4xY/s72-c/Estrutura+Social.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-3943763374662261140</id><published>2007-04-12T21:36:00.000-03:00</published><updated>2007-04-12T21:46:43.040-03:00</updated><title type='text'>Memórias de uma puta expatriada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estava aqui lendo os posts antigos, já que ninguém escreve nada de novo por aqui e eu não tinha nada melhor para fazer. E como sou a maior voyeur de mim mesma que existe na face da terra, voltei, claro, aos meus próprios posts, e me surpreendi com “A (re)descoberta, do meu corpo, do meu mundo e do meu eu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ser o próprio corpo é uma experiência inebriante, tem milhares de consequências possíveis - desde o êxtase egocêntrico até a mágoa dos outros - e vicia. Agora preciso saber o que fazer com o resto do mundo pois, ao me bastar, todo o resto perdeu a graça.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso realmente me chocou. Como foi que eu sai do auge da glória para chegar ao fundo do subsolo do porão do fundo do poço? Antes o mundo girava ao meu redor, agora sou eu que estou girando ao redor do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu descobri que, de fato, tudo é muito relativo. Em Salvador, BA, eu era a criatura mais linda, interessante e inteligente que alguém podia conhecer. Aqui, em Nashville, TN, eu sou só mais uma branquela que vai de moleton e tênis para o refeitório. Mas peraí. Para tudo. Eu era a criatura mais linda, interessante e inteligente que alguém podia conhecer, ou era o fato de eu acreditar nisso que me dava aquele olhar 43 que o Rafael tão bem conhece, ele que dividiu comigo as maiores excentricidades do meu ego? Ou será que aqui eu sou só mais uma branquela sem graça porque de fato sou branquela e não tenho bunda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de assistir a um desfile de mulheres deslumbrantes e performáticas eu comecei a me achar bonita. Só que antes eu era deslumbrante. Eu era estonteante. Agora eu sou só bonita. Vá lá, isso pode parecer ridículo, mas é como tirar uma parte de mim que sempre esteve lá. E como acordar um dia e descobrir que sou chinesa. Tudo perde o sentido. Então, se eu não sou a última bolacha do pacotinho, como é que eu vou encarar as pessoas até o ponto de elas fazerem o que eu quero? E quando eu voltar para o Brasil, será que eu vou voltar a ser a criatura mais desejável que alguém pode conhecer ou vou cair na real de fato e decobrir que sou só normal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa não é minha. Todo mundo que eu conheço adora encher a minha bola, a ponto de eu ficar insuportável. E ser insuportável também é uma maneira de ser mais rata, daí meus amigos igualmente ratos enchem minha bola mais ainda e a coisa não para nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frente à minha crise existencial, a sugestão de uma amiga americana: prender meu cabelo, passar rímel, colocar uns brincos bem grandes, um short bem curto e um salto bem alto. Pronto, isso vai resolver meus problemas. Mas que desgraça de país é esse em que estou?! Por que é que alguém não pode ler “Memórias de minhas putas tristes” numa cama de motel pra mim? Por que é que alguém não pode olhar para mim e ver algo que ninguém mais vê? Por que é que eu não posso viajar na maionese e fazer da minha vida um filme, como eu sempre fiz? Um filme meloso, é claro. Afinal, será que isso é mais um dos meus problemas mentais ou mais um pouco de blues antropológico? Será que Gabriel Garcia Marquez e camas de motel só se cruzam no meu mundo? E estará meu mundo no Brasil ou só na minha cabeça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os States estão acabando com meu romantismo. Tudo virou uma questão de bunda e brincos. E eu achava que o Brasil era o país do Carnaval...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-3943763374662261140?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/3943763374662261140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=3943763374662261140&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/3943763374662261140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/3943763374662261140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2007/04/memrias-de-uma-puta-expatriada.html' title='Memórias de uma puta expatriada'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-117126176459957767</id><published>2007-02-12T03:22:00.000-03:00</published><updated>2007-02-12T03:29:24.613-03:00</updated><title type='text'>I don't have a P.I.M.P - reasons why I'm getting bored and fat na terra do fried chicken.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje eu via a Barbie no shopping. Sim, olhei para o lado e dei de cara com ela, usando sombra rosa, batom rosa e relógio rosa. E não me entendam mal, não pensei na Barbie por conta do excesso de rosa não, era a Barbie em pessoa mesmo, com todas as feições, o cabelo, o olhar. Não fui lá para conferir se a medida da cintura dela era compatível com o mínimo necessário para a sobrevivência da espécie, mas mesmo assim, isso foi a melhor coisa do meu dia. Sim, descobrir que a Barbie existe foi a coisa mais interessante e divertida do meu dia – evidentemente, eu já tive dias melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis um exemplo da minha rotina na terra do tio Sam: acordo invariavelmente tarde, uma vez que está frio, minha cama é quentinha e não tenho nada melhor para fazer. Daí levanto, tomo banho, seco o cabelo, tento me arrumar um pouco com as minhas roupas de brasileira, passo rímel... Tudo isso para andar de um prédio para o outro. Chegando no refeitório, eis as minhas opções: pizza, hamburger, batata frita, salada, wrap, e algum prato quente que varia entre tacos, pasta e fried chicken, tudo acompanhado de muito pão e pimenta. Como um pouco de cada coisa. Pois é, sou brasileira e não desisto nunca, sempre acho que alguma coisa vai prestar. Para acompanhar, dois copos imensos de refrigerante, iced tea ou limonada cor-de-rosa. E tudo com canudinho! Em qualquer lugar aqui, em qualquer restaurante, desde o fast food até o tradicional a la carte (nem imagino como se escreve isso), a bebida chega até você com canudinho. A única coisa que os americanos tomam sem canudinho é café, que vem naqueles copos com um buraco na tampa. E cerveja, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando a rotina, passo o resto do meu tempo indo às aulas, onde aprendo que todo tipo de comportamento desviante é causado por alguma substância química que chegou ao interior do corpo da dita cuja criatura, seja porque a dita cuja criatura quis se drogar, seja porque o governo não está preocupado com a pureza da água, do ar e do chicken. Aliás, tudo aqui leva frango. Se você vai ao mercado, existem duas opções: frango ou porco. Aí eu me pergunto: mas onde estão as vacas desse país? Porque o leite tem que vir de algum lugar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra atividade com a qual eu gosto de ocupar meu tempo é a de perder horas e horas pegando diversos ônibus para chegar a qualquer lugar. Tudo aqui é absurdamente longe, e é por isso que os jamaicanos já se conformaram e desistiram de tentar chegar a algum lugar. Eles passam o dia todo, todos os dias, enfurnados dentro do campus. À noite você pode encontrá-los no refeitório, olhando com olhos perdidos para um pedaço de pizza de hamburger de peru e dizendo: “pizza in the morning, pizza in the afternoon, pizza in the evening...”. E as opções fora do campus não são muito diferentes. As únicas excessões são a comida chinesa, que é ruim, e a japonesa, que é cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em caro, nenhum drink em qualquer bar ou club sai por menos de 7 dólares (façam as conversões), e a cerveja long neck nunca custa menos de três dólares. Mas, é claro, nós brasileiros já descobrimos que ali na esquina tem um posto de gasolina cujo proprietário é do Quênia e onde a cerveja de meio galão (1,89l) custa 2,50 – eu vou sentir falta de cerveja de meio galão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto vou aos eventos do campus, às festas de fraternidade, onde cada fraternidade tem uma dança característica, um misto de dança africana com backstreet boys. Mas não pensem que tudo aqui é ruim, algumas coisas são legais, como o fato de roupas, sapatos e eletro-eletrônicos serem absurdamente baratos e virem em todas as cores e tamanhos. Imaginem a minha surpresa quando descobri que posso comprar um microondas por 33 dólares (mais taxs, o imposto é cobrado na hora). Sendo assim, só o que faço aqui é comprar e beber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que ninguém vai acreditar que nenhuma aula seja aproveitável, que não existam pessoas interessantes... mas é a verdade, por vários motivos. Primeiro: a cultura americana favorece uma adolescência prolongada. Ninguém aqui é realmente adulto antes dos 25, pelo menos ninguém com condições financeiras de vir para a universidade. Logo, uma vez que fico enfurnada dentro do campus, que é onde eu como, durmo e assisto às aulas, só conheço gente com cérebro de 15 anos de idade. Eles se batem no refeitório, jogam comida um no outro, tem os bancos de cada fraternidade onde só quem pode sentar é quem é membro, ouvem hip hop e r&amp;b o dia todo, criam coreografias para as músicas, só bebem para ficar bêbados, uma vez que não tiveram a oportunidade de aprender a beber antes, se preocupam com a vida sexual dos outros (já que vida sexual ativa na adolescência aqui é caso de delinquência juvenil, com todas as implicações legais que isso pode ter).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo, apesar de a CAPES não ter sido avisada disso, enquanto nós fazemos a graduação no Brasil, eles fazem a UNDERGRADUATION. Que fique bem claro, UNDER, onde os alunos aprendem a ter responsabilidade, disciplina, e também uma visão geral e superficial do mundo e dos campos da ciência para que eles possam depois, na graduação deles, que é o mestrado, escolher o que querem fazer das suas vidas profissionais. É por isso que eu tenho prova de colorir (acreditem, é verdade), de múltipla escolha, ganho pontos extras para ir aos jogos de basquete e tenho que concluir o semestre com um trabalho artístico sobre a dependência. Soma-se a isso tudo, só para ressaltar porque já deve estar evidente, que sexo e álcool são tabus aqui. Pronto! Essa é a receita para entender o deep south universitário dos States. Não vou genaralizar para outras áreas do país, porque de fato as desconheço, mas posso até me estender para a vizinhança dos brancos onde Murilo mora. A única diferença é que lá eles não ouvem black music (ou pelo menos ouvem outras coisas além disso) e não se vestem como o Snoop Dog e a Beyoncé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo finalmente divulgado “formalmente” minhas impressões sobre essa moderna experiência antropológica, diferente daquela em que os índios querem roubar sua lata de goiabada cica, me despeço dos amigos que vierem a ler esse post, uma vez que essa é provavelmente a última vez que escrevo com algum resto de lucidez. Vejo vocês todos em julho. Até lá os hormônios da comida terão desregulado meu comportamento sexual, tornando-me ninfomaníaca, já que eu já sou adulta e não posso ser acusada de delinquência juvenil, e a convivência com gente estúpida terá destruído os últimos neurônios que eu usaria para fazer o mestrado e que sobreviveram aos excessos alcóolicos do final do ano passado. Till there, good night and good luck.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-117126176459957767?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/117126176459957767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=117126176459957767&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/117126176459957767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/117126176459957767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2007/02/i-dont-have-pimp-reasons-why-im.html' title='I don&apos;t have a P.I.M.P - reasons why I&apos;m getting bored and fat na terra do fried chicken.'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-116925214928817516</id><published>2007-01-19T21:11:00.000-03:00</published><updated>2007-01-20T22:31:21.830-03:00</updated><title type='text'>Contingências da Fortuna e o dom da Virtú: na política e no amor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Maquiavel deveria ser lido por todas as almas vivas nesse planeta. Justamente porque Maquiavel, essencialmente em O Príncipe, serve para explicar absolutamente tudo que possa acontecer em sua vida. Pois sim, se não servir para explicar tudo, servirá certamente para orientar algumas estratégias.&lt;br /&gt;No já citado O Príncipe, Maquiavel parte da premissa básica de que a moral política é diferenciada de outras espécies de moral, e portanto possui uma lógica própria.Sendo assim, o governante, ou príncipe, precisa jogar esse jogo, se deseja se manter no poder. Limitar-se pela moral social,ou religiosa, levará qualquer governante ao fracasso. O cara que governa deve, então, submeter-se à táticas que seriam moralmente condenáveis pela sociedade mas que, sob a ótica da moral política, são perfeitamente aplicáveis. A moral política baseia-se no sucesso: deu certo, é bom; deu errado, condene-a. Foi aqui, em Maquiavel, que os políticos aprenderam que dar ouvidos a protestos da sociedade civil é uma tática muito mais eficiente do que preocupar-se de fato com os motivos deles: a sociedade normalmente fica satisfeita em apenas ser ouvida. Sim, meus caros, foi em Maquiavel que a coisa começou a desandar...Mas esse não é o ponto aqui. Vamos então ao ponto. A correlação com fortuna e virtú é um aspecto interessante dessa teoria maquiaveliana. Virtú, a capacidade do político lidar com os intempérios das circunstâncias, é uma habilidade que certamente não é dispensável no caminho para o sucesso. Maquiavel a trata como algo inato. É como se fosse um dom. Nesse ponto, fica dificil não lembrar: como o nosso presidente tem virtú, não acham? A Fortuna, por sua vez, significa sorte mesmo. O político tem que ter sorte, ou seja, as circuntâncias têm que jogar a favor dele, por que se não, não há virtú que dê jeito...&lt;br /&gt;Bom, sem mais demoras nessa parte, posto que é fácil perder o foco nessa brincadeira de blogar. As estratégias que Maquiavel apresente em seu livro partem da premissa - igualmente básica - de que o príncipe quer, mais que ninguém, se manter no poder. Querendo isso mais que ninguém, ele vai aplicar corretamente sua virtú, fazendo a fortuna trabalhar ao seu favor.&lt;br /&gt;Imaginem agora um individuo, do sexo masculino, solteiro nessa terra quente chamada Salvador. Ele acorda todos os dias e se olha no espelho. Ao olhar-se, ele afirma: "que maravilha! tenho o dia livre, pois estou sol-tei-ro!" Tudo que ele quer é continuar solteiro, ele quer agarrar essa liberdade e não solta-la tão cedo. Ah, mas isso não é nada fácil. Diria que uma dose de virtú e uma ajudazinha da fortuna são fatores determinantes na vida desse pobre individuo. Agora vamos aos porquês...&lt;br /&gt;Primeiro, porque ele quer ser solteiro, mas nunca ficar sozinho. A necessidade de enamorar-se vez ou outra é bem humana, como já disse... quem disse isso mesmo? Enfim, ele quer, ele vai à luta. Ele (as feministas vão cair da cadeira) caçam. Sim, caçam. Ou alguém vai ter coragem de me dizer que festas como o Bonfim Light não são verdadeiras caçadas? As estratégias de caça não estão ao alcance de todos. Seria preciso ressuscitar Maquiavel para que ele nos explicasse como aprender a lidar com esse tipo de situação.. Ah, ele nunca faria isso. Virtú não se ensina...&lt;br /&gt;Segundo, porque ele quer enamorar-se, mas jamais namorar! Ai, depois que ele se dá bem na caça, vem o problema: a moça gostou demais dele. Gostou mais do que ele queria. Como dizer a ela que ele não está interessado em se envolver, mas aceita a idéia de vê-la vez ou outra, para conversarem e, quem sabe...Ou seja, virtú, sempre virtú!&lt;br /&gt;Terceiro, e mais importante, a fortuna. Como fazer a fortuna alinhar-se aos seus planos? Sim, pois, de fato, o inverso do último fator acontece. Não necessariamente o inverso, mas uma situação diferente: o individuo se envolve mais do que queria, também. Nesse caso, a fortuna trabalha contra suas intenções. Se envolver não faz parte da intencionalidade do individuo, e sim da estrutura que o cerca. Quando a fortuna age contra, diria Maquiavel,é porque o príncipe não era merecedor do sucesso, pois só a junção da virtú com a fortuna o garantiria. Desta forma, cai o príncipe, e cai o individuo solteiro. Esse último, imbecilizado pela envolvimento desafortunado, começa a achar que nunca quis ser solteiro. Imagine, toda aquela liberdade, toda aquele mundo a descobrir.. O imbecil começa a achar tudo inútil. Percebe que toda a série de estratégias que tentou aprender, toda a virtú para o sucesso na solteirice que ele pensou ser inata, tornam-se desgraçadamente inúteis quando o objetivo se esvai. Cai o príncipe, cai o solteiro. Diferente do primeiro, o segundo rí a toa ao notar que fora abandonado: por Maquiavel, pela fortuna e pela virtú...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-116925214928817516?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/116925214928817516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=116925214928817516&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116925214928817516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116925214928817516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2007/01/contingncias-da-fortuna-e-o-dom-da.html' title='Contingências da Fortuna e o dom da Virtú: na política e no amor'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-116699084690007714</id><published>2006-12-24T17:05:00.000-03:00</published><updated>2006-12-24T17:11:53.156-03:00</updated><title type='text'>Divagações acerca do desespero da existência com auxílio de Fernando Pessoa</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Os bebês recém-nascidos – dizem os especialistas em bebês recém-nascidos, bebêlólogos, talvez – sofrem de um tipo peculiar de desespero: o da auto-destruição. Ao se verem desligados do corpo materno, do qual julgavam ser parte, os bebês se sentem soltos na realidade total e não conhecem as fronteiras que limitam o espaço do eu e do não-eu. Em resposta ao simplório gesto de mexer a perna eles podem sofrer graves confusões psíquicas: será que a perna não vai arrancar??&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Adultos também sofrem de pesadelos psíquicos como esse. A pulsão de morte – Tanatos – permanece como uma das principais forças impulsionadoras da existência, pois nos permite enxergar os extremos que, bebês, não víamos com clareza. O sentimento de que podemos nos desintegrar nos acomete a todo momento e são contra-balanceados pela pulsão de vida – Eros. Daí detestarmos ver fotos do assustador.com. Ali percebemos que podemos ficar daquele jeito: estilhaçados, estripados e com as carnes espalhadas pelo chão. Outros momentos são menos drásticos: o sexo, por exemplo, quando, no momento do gozo, desejamos nos fundir (não leiam errado) ao outro. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Esses pensamentos me vieram à cabeça após ler alguns versos do Álvaro de Campos (meu Fernando Pessoa preferido): &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;                      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;O horror e o mistério de haver ser,&lt;br /&gt;Ser vida, ladearem-me outras vidas,&lt;br /&gt;Haver casas e coisas em meu torno –&lt;br /&gt;A mesa a que me encosto, a luz do sol&lt;br /&gt;No livro em que não leio por alheio –&lt;br /&gt;São fantasmas de haver... são ser absurdo&lt;br /&gt;São o mistério inteiro cada coisa.&lt;br /&gt;Haver passado, com gente nele, e outros&lt;br /&gt;Presentes, e o futuro imaginado –&lt;br /&gt;Tudo me pesa com o mistério dele,&lt;br /&gt;E me apavora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:11;"  &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O que em mim vê tudo isto é o próprio isto!&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:11;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É incrível pensar como somos parte nula da realidade total que transcende a condição temporal inventada pela mente humana. Há o livro que não li, o lugar que não conheci, a mulher que não beijei, o tempo que não conheci e tudo isso se conta &lt;i style=""&gt;ad infinitum&lt;/i&gt;. Resta-me o ser parco que possuo. E nesse ser, ser, em sonho, algo grande. Algo que importa ao mundo. Algo que, ao deixar de existir, fará com que gemidos de comiseração sejam ouvidos em todo o horizonte distante. É o que Campos vai chamar de “uma vontade física de comer o universo”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas será ele mesmo quem decreta a inutilidade schopenhauriana da vontade. A respeito do post-mortem:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;            &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!&lt;br /&gt;Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...&lt;br /&gt;Sem ti correrá tudo sem ti.&lt;br /&gt;Talvez seja pior para outros existires que matares-te...&lt;br /&gt;Talvez peses mais durando, que deixando de durar&lt;br /&gt;A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado&lt;br /&gt;De que te chorem?&lt;br /&gt;Descansa: pouco te chorarão...&lt;br /&gt;O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;              &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda&lt;br /&gt;Do mistério e da falta da tua vida falada...&lt;br /&gt;Depois o horror do caixão visível e material,&lt;br /&gt;E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.&lt;br /&gt;Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,&lt;br /&gt;E tu mera causa ocasional daquela carpidação,&lt;br /&gt;Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;              &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;Depois a retirada preta para o jazigo ou a cova,&lt;br /&gt;E depois o princípio da morte da tua memória.&lt;br /&gt;Há primeiro em todos um alívio&lt;br /&gt;Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...&lt;br /&gt;Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,&lt;br /&gt;E a vida de todos os dias retoma o seu dia...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;            &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;Depois, lentamente esqueceste.&lt;br /&gt;Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:&lt;br /&gt;Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.&lt;br /&gt;Mais nada, mais nada. Absolutamente mais nada.&lt;br /&gt;Duas vezes no ano pensam em ti.&lt;br /&gt;Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,&lt;br /&gt;E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala de ti.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;Encara-te a frio e encara a frio o que somos...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem,&lt;br /&gt;Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;            &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:11;"  &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;És importante para ti porque é a ti que te sentes&lt;br /&gt;És tudo para ti, porque para ti és o universo,&lt;br /&gt;E o próprio universo e os outros&lt;br /&gt;Satélites de tua subjectividade objectiva.&lt;br /&gt;És importante para ti porque só tu és importante para ti.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:11;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E aqui, então, Campos conseguiu falar quase tudo o que eu queria. Aproveitando as férias continuarei estes pensamentos em outra ocasião.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-116699084690007714?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/116699084690007714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=116699084690007714&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116699084690007714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116699084690007714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/12/divagaes-acerca-do-desespero-da.html' title='Divagações acerca do desespero da existência com auxílio de Fernando Pessoa'/><author><name>Felippe Ramos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-116632597554848467</id><published>2006-12-16T23:50:00.000-03:00</published><updated>2006-12-17T00:49:57.383-03:00</updated><title type='text'>Das contradições...</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Por que tenho que construir minha personalidade pautada na homogeneidade e no princípio de que a construção de minhas diversas faces tem que ser regida pelo princípio da não-contradição? &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Por que tenho que ter explicações para todos os meus atos e tenho que guiá-los pela idéia de que eles devem ter certos fins e que eu deveria ser capaz de saber quais serão esses fins?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Ademais, por que tenho que saber onde meus atos desembocarão se não consigo nem saber quem eu sou hoje, se não sei quem fui ontem e muito menos quem serei amanhã? Aliás, amanhã eu serei alguém ou esse alguém será por mim?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Por que devo me responsabilizar pelas vidas dos outros se não consigo me responsabilizar pela minha própria vivência? Seria uma fuga o fato de que tento diariamente me fazer acreditar que &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;minha existência deve ser pautada no postulado de que é cotidianamente que se experencia o mundo?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Se é verdade o que uma grande amiga que faz papel de um xamã para mim disse e eu vim ao mundo para me satisfazer, enquanto que os outros têm que satisfazer a si próprios, por que sou cotidianamente construído a pensar e a sentir o mundo todo em minhas costas?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Por que quero me expressar e não saem mais palavras de minha mente, de minha boca, de meu corpo, apenas gestos que nunca verás, contorções, gritos internos, fluxos e refluxos de sentimentos, emoções, contradições, arrependimentos, dissociações?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Por que sou obrigado a aceitar o racionalismo se todas as minhas experiências me ensinam a rechaçá-lo com todas as forças de um coração partido, sangrando ou ainda vibrando por sangrar ou sangrando por fazer outros sangrar???? Por que alguns corações sangram por outros corações?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Por que??? Por que??? Por que??? Por que??? Por que??? Por que??? Por que??? Por que??? &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Repressões morais a parte, por que não conseguimos deixar de tê-las e sentí-las como uma dor lancinante que torna-se mediação simbólica de todas as experiências que temos, enquanto não conseguimos construir novas categorias que organizem nossas experiências em nossas mentes e corpos? É possível construir essas novas categorias?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Por que considero esse post tão ridículo e, ainda assim, teimo em publicá-lo???&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-116632597554848467?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/116632597554848467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=116632597554848467&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116632597554848467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116632597554848467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/12/das-contradies.html' title='Das contradições...'/><author><name>Rafael Arantes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12909663327175774884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-116578399494992145</id><published>2006-12-10T17:45:00.000-03:00</published><updated>2006-12-10T17:56:05.393-03:00</updated><title type='text'>Análise das categorias nativas “amor” e “paixão” a partir do arcabouço conceitual criado por Zezé Di Camargo e Luciano.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Este é um post coletivo, criado por mim e Fernanda. Divirtam-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada volta é um recomeço&lt;br /&gt;Zezé Di Camargo e Luciano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MAIS UMA VEZ&lt;br /&gt;O CORAÇÃO ESQUECE TUDO&lt;br /&gt;QUE VOCÊ ME FEZ&lt;br /&gt;EU VOLTO PRA ESSE AMOR INSANO&lt;br /&gt;SEM PENSAR EM MIM&lt;br /&gt;PRA RECOMEÇAR, JÁ SABENDO O FIM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MAS É PAIXÃO&lt;br /&gt;E ESSAS COISAS DE PAIXÃO&lt;br /&gt;NÃO TÊM EXPLICAÇÃO&lt;br /&gt;É SIMPLESMENTE SE ENTREGAR&lt;br /&gt;DEIXAR ACONTECER&lt;br /&gt;EU SEMPRE ACABO ME ENVOLVENDO&lt;br /&gt;COM VOCÊ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFRÃO:&lt;br /&gt;NESSES DESENCONTROS EU INSISTO EM TE ENCONTRAR&lt;br /&gt;COMO SE EU PARTISSE JÁ PENSANDO EM VOLTAR&lt;br /&gt;COMO SE NO FUNDO EU NÃO PUDESSE EXISTIR&lt;br /&gt;SEM TER VOCÊ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TODA VEZ QUE EU VOLTO&lt;br /&gt;EU TE VEJO SEMPRE IGUAL&lt;br /&gt;COMO SE A SAUDADE FOSSE A COISA&lt;br /&gt;MAIS BANAL&lt;br /&gt;E EU CHEGANDO SEMPRE&lt;br /&gt;COMO UM LOUCO PRA DIZER&lt;br /&gt;QUE AMO VOCÊ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUE ME LEVE PELA VIDA AO CORAÇÃO&lt;br /&gt;COMO VERSOS PRA CANÇÃO&lt;br /&gt;VOLTO PRA VOCÊ, VOLTO PELO AMOR&lt;br /&gt;NÃO IMPORTA SE É UM SONHO PELO AVESSO&lt;br /&gt;CADA VOLTA É UM RECOMEÇO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MAS É PAIXÃO...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao analisarmos as categorias nativas “amor”, como amor romântico, e “paixão” utilizadas cotidianamente para apreender as experiências dos sujeitos em nossa sociedade, podemos perceber que elas mantêm uma relação fluida de diferenciação, se aproximando ou se distanciando de acordo com as situações em que são empregadas e com os sujeitos envolvidos nas mesmas. Essas duas categorias que replicam emoções aparecem muitas vezes fundidas e são entendidas como componentes de uma mesma relação. De fato, diversas vezes, as categorias amor e paixão são utilizadas como parte de um mesmo processo e, às vezes, como um mesmo sentimento ou emoção. Todavia, podemos notar também que há um processo de significação que aponta no sentido de diferenciar as duas categorias. É neste sentido que entendemos que “amor” e “paixão”, na sua comparação, são compreendidos de maneira fluida, pois embora possam se mesclar, mantêm algumas diferenças fundamentais. Tentaremos, portanto, expor a forma como essas categorias são utilizadas em diferentes situações, desde as suas similitudes às suas diferenças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor e paixão geralmente definem sentimentos e emoções experenciados em relações que envolvem no mínimo duas pessoas, não necessariamente do mesmo sexo, e em que existe a possibilidade do intercurso sexual. Essas duas categorias se aproximam na medida em que definem situações que envolvem o “desejo carnal”. Nota-se, entretanto, que estamos nos referindo a um amor contemporâneo em que o desejo e a sexualidade são condições sine qua non da relação, em detrimento daquela visão passada de amor puro e inocente. Claro está, porém, que isso é uma escolha metodológica e que a categoria “amor puro” ainda existe na realidade das relações, ainda que acreditemos que ela tende a se dissipar frente às mudanças da contemporaneidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também é importante lembrar que o desejo não necessariamente é recíproco e que nem sempre chega ao conhecimento de todos os envolvidos na situação, constituindo o famoso “amor platônico” ou a “paixão não-correspondida”. Outro exemplo de aproximação das categorias está no caso da “paixão à primeira vista”. Os nativos, quando interpelados sobre o que seria a paixão, evocam adjetivos como “súbito”, por exemplo. No entanto, esse adjetivo também é utilizado para entender o “amor à primeira vista”. Essas últimas categorias estão muito próximas, a ponto de sua diferenciação constituir um empreendimento metodológico de difícil apreciação, ainda mais quando não conseguimos manter um estranhamento suficiente das mesmas. Soma-se a isso a dificuldade em separar as categorias que os nativos em geral utilizam para apreender e compreender o mundo das nossas próprias versões dessas categorias, filtradas pela nossa experiência pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, embora existam aproximações entre “amor” e “paixão”, existem também diferenças. A paixão é sempre definida como algo delirante, incontrolável e, muitas vezes, passageiro. Os apaixonados são acusados de irresponsáveis por não serem capazes de controlar suas emoções e seus atos. São acusados de agir sem pensar, se expõem ao ridículo frente aos outros. O sujeito torna-se objeto da paixão, um simples joguete nas mãos do destino, como disse Shakespeare em Romeu e Julieta. Mas Romeu e Julieta não teriam vivido o maior amor de todo os tempos? Em que medida esse amor está imerso na paixão e vice-versa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor, além da idéia de destino, envolve também a idéia de algo mais permanente, estável, sereno e definitivo, eterno. O amor remete principalmente a segurança. O amor é um processo, uma construção cotidiana que envolve companheirismo, confiança e cumplicidade. Dentro da visão de amor, o sujeito é capaz de abdicar do objeto de seu desejo em nome do bem-estar desse objeto, enquanto que na paixão a posse do objeto constitui a principal motivação do ser apaixonado. A paixão dá idéia de algo avassalador, que possui o amante como um demônio. O amante passa a não ter controle do próprio desejo, se entrega a ele. Mas se nem sempre os próprios apaixonados ou os que amam conseguem definir se o que sentem é amor ou paixão, existe de fato alguma diferença entre esses dois sentimentos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes o que define a situação é a acusação do outro, como quando uma situação é definida como “simples paixão”, no sentido de que é algo passageiro e com o qual os envolvidos não deveriam desperdiçar seu tempo ou energia. No entanto, embora a “simples paixão” possa ser mal vista, a paixão que acompanha o amor certamente não o é. Mas seria todo amor acompanhado de paixão? Seria a paixão uma possível porta para amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na música de Zezé Di Camargo e Luciano, essas duas categorias são utilizadas no que podemos definir como amor insano, que configuraria um processo de sentimento permanente, como no caso do amor romântico, e ao mesmo tempo dominaria o sujeito a ponto de ele tornar-se o objeto desse amor insano, com a idéia de descontrole das próprias ações que envolve a paixão. A falta de explicações para os sentimentos do eu lírico da música remetem à idéia de destino. O amor insano não constitui uma categoria amplamente difundida, mas é um bom exemplo de como as categorias amor e paixão se fundem no processo de experenciar o mundo em que vivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para dificultar ainda mais o processo de definir relações, sentimentos e emoções a partir das categorias “amor” e “paixão”, nosso mundo assiste hoje ao surgimento de diversos novos tipos de relação que envolvem diferentes gradações de tempo e comprometimento que muitas vezes não se adequam perfeitamente às categorias existentes. No entanto, por falta de outras categorias ou devido ao processo muito recente de construção dessas outras, “amor” e “paixão” ainda são tomados mesmo que como referenciais negativos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-116578399494992145?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/116578399494992145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=116578399494992145&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116578399494992145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116578399494992145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/12/anlise-das-categorias-nativas-amor-e.html' title='Análise das categorias nativas “amor” e “paixão” a partir do arcabouço conceitual criado por Zezé Di Camargo e Luciano.'/><author><name>Rafael Arantes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12909663327175774884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-116500120880282701</id><published>2006-12-01T16:25:00.000-03:00</published><updated>2006-12-01T16:52:45.576-03:00</updated><title type='text'>Experiências acerca doTempo e da Trajetória em contexto de Presente Perpétuo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Falar sobre Tempo é falar sobre a vida, a existência e sua experiência, o projeto eternamente inacabado chamado Homem. Em uma época onde a experiência temporal concentra-se majoritariamente no instante, perde-se a capacidade de acumular. Se por um lado cada experiência passa a ser única, por outro passa a ser, também, efêmera. É nesse sentido que o Homem na pós-modernidade não mais reconhece a própria trajetória. Imerso num presente sempre esfuziante e alucinante, vive sem olhar para trás, sem aprender como potencialmente poderia e, como resultado, acaba por não haver vislumbre de futuro algum. Este passa a ser ilusão: o futuro empobrecido passa a ser interpretado como o presente que chegou; o passado é o presente que passou. &lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;A trajetória não deixa de existir, obviamente. Apenas o seu reconhecimento é que sucumbe. O Homem tornado um ponto ao vento evidencia a morte do homem moderno: o Sujeito kantiano soberano, senhor de si mesmo; o Ser absoluto de Hegel, auto-consciente; o além-do-homem, ser dançante nietzscheano e o homem-projetável sartreano – resta, talvez, a máscara caquética destas construções.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Tenho vivido alucinadamente a minha vida cotidiana, conforme me prega a moral hedonista dominante. E alucinadamente não significa necessariamente prazerosamente, mas apenas “com ausência de tempo”. Vamos fazer isso? Não posso. Estou sem tempo. Estas são as três sentenças que bem representam a contemporaneidade. E com isso minha vida ia sendo vivida sem mim. Sem que eu me desse conta de que existe algo chamado tempo e que minha trajetória é um continuum de &lt;i style=""&gt;é, foi &lt;/i&gt;e&lt;i style=""&gt; está sendo&lt;/i&gt; dentro deste tempo. E que, ainda no tempo, minha trajetória findará.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Os homens pré-modernos e modernos viviam sempre em reflexão acerca de si mesmos. Não porque a Filosofia estivesse na moda, mas simplesmente por ausência de atividades que ocupassem a própria mente. Meu avô passava horas na beira do rio pescando quando era jovem e dizia que ali, naqueles instantes a sós com os peixes, ordenava toda a sua vida na própria cabeça. Hoje em dia, quando tempo temos, tratamos logo de ocupá-lo com algum barulho que nos remeta ao presente perpétuo. E eu já falei acerca disso em outra oportunidade. Fato é que não suportamos mais pensar sobre nós mesmos. Vamos vivendo a vida como ratos em labirinto em experiência de laboratório: onde der para ir a gente vai; quando aparecer obstáculo a gente desvia. É uma forma covarde de não sentir o peso da estrutura social: ao invés do combate, a subordinação total. Baudrillard, no entanto, nos diz que essa subordinação é a forma extrema de combate, pois esvazia a estrutura de sentido. No hiper-fluxo de Signos não há significação alguma. Daí voltamos ao barulho. Que é o barulho? A super-exposição dos canais auditivos à fontes sonoras intensas e variadas. Que se apreende do barulho? Pouca coisa. Talvez uma ameaça potencial. Talvez um aliado do prazer, como nas discotecas. De qualquer forma, nunca se apreende um continuum de Sentido. Apenas inserções pontilhadas constantes de Sentidos Sem-Sentido, sem história, sem trajetória. O iPod é um dos principais instrumentos desta pós-modernidade que rejeita a trajetória. O ônibus para a Faculdade, um dos meus momentos de mais profunda reflexão filosófica, foi tomado por dois fones de ouvido que me distraem. Sim, apenas me distraem, me entretém, enquanto a vida passa sem que eu me dê conta. No labirinto obstaculático do ônibus, arranjo uma forma de seguir em frente, sempre em frente, para um lugar qualquer, para lugar algum.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E, de repente, em um momento de breve devaneio, olho pela janela do quarto de meus pais, do alto do 11º andar e vejo dois pontos no estacionamento. Dois idosos sentados a conversar. E penso. Meu Deus! O tempo passou... E neste momento pensei, como era costume meu avô fazer, a respeito de mim mesmo. De onde vim e para onde vou. Pensei em minha trajetória no tempo estrutural. E as coisas que achei nesta escavação sorumbática e macambúzia me fizeram acordar de todas estas lamentações anacrônicas e melancólicas. Diante do horror de me ver nu ao espelho da consciência, corri apressado, apanhei o mp4 e escutei meu barulho essencial. A busca da trajetória marca o fim mesmo da trajetória deste Homem letárgico e em torpor do presente perpétuo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-116500120880282701?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/116500120880282701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=116500120880282701&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116500120880282701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116500120880282701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/12/experincias-acerca-dotempo-e-da.html' title='Experiências acerca doTempo e da Trajetória em contexto de Presente Perpétuo'/><author><name>Felippe Ramos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-116456715645477957</id><published>2006-11-26T15:38:00.000-03:00</published><updated>2006-11-26T15:52:36.466-03:00</updated><title type='text'>A (re)descoberta do meu corpo, do meu mundo e do meu eu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Recentemente disse ao nosso ilustre colega Antônio que não tinha nada para escrever que não fosse pessoal, e ele me convenceu de que deveria escrever de qualquer maneira. Então, resolvi aparecer por aqui.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como disse Ilich, em um texto qualquer que eu li por aí, esse mundo é um mundo do não sentir (adaptação tosca do que ele realmente disse. Ah, por favor, não vou lá para conferir). Renegamos a experiência do corpo. Só somos saudáveis se não sentimos nada. Controlamos nossas emoções. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu, é claro, como não vim de Marte, também passo o tempo todo medindo meus passos e tomando dramin. Farta dessa vida de tédio, dessa impressão de que meu corpo não é meu e nem sou eu, resolvi redescobri-lo e resgatar a experiência de estar nesse mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como minha cobaia preferida e única disponível, parti para uma série de experimentos que iam desde cantar Celine Dion no chuveiro até o uso de drogas (lícitas, ilícitas - se é líquido, vamos beber). Descobri que meu corpo continua aqui e que, para o bem ou para o mal, provavelmente não irá desaparecer. Para viver por inteiro basta me entregar, e para me entregar basta querer. Mas querer não é assim tão fácil. Para quem está muito habituada a não sentir, como querer algo? Logo, entrei em crise existencial.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ser o próprio corpo é uma experiência inebriante, tem milhares de consequências possíveis - desde o êxtase egocêntrico até a mágoa dos outros - e vicia. Agora preciso saber o que fazer com o resto do mundo pois, ao me bastar, todo o resto perdeu a graça. A vontade dos outros agora é insuportável. Só a minha me interessa. Só a minha me faz sentir. Quero descobrir um novo mundo onde eu só tenha que me render a mim mesma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para terminar, o pensamento iluminado de outro ilustre colega nosso:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Deus é um ser fantástico. Para uns ele deu inteligência. Para outros, dinheiro. E para outros, academia" (ALGUÉM QUE NÃO SEI SE VAI QUERER APARECER AQUI, 2006).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-116456715645477957?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/116456715645477957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=116456715645477957&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116456715645477957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116456715645477957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/11/redescoberta-do-meu-corpo-do-meu-mundo.html' title='A (re)descoberta do meu corpo, do meu mundo e do meu eu'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-116455776666994637</id><published>2006-11-26T13:13:00.000-03:00</published><updated>2006-11-26T13:18:53.426-03:00</updated><title type='text'>Encontros da CIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;&lt;br /&gt;Entre um e outro encontro, da CIA do Subterrâneo, nossos laços de amizade foram ficando cada vez mais firmes, e hoje sei que posso dizer com muito orgulho que tenho amigos, que a cada dia de convivência me elevo cada vez mais, pois a cada encontro tenho sempre algo a apreender, e como aprendi com vocês nestes nossos encontros, sei que a separação será inevitável um dia, e isso me fará sofrer, mas o que me consola é que as boas lembranças dos momentos vividos juntos, estas sim, nunca serão apagadas ou esquecidas, pois sei que sempre estarão guardadas no lugar mais doce de nossas recordações.&lt;br /&gt;É bom saber que apesar de tudo ainda conseguimos encontrar nossos iguais pela estrada da vida, e sei que ao lado desta CIA eu os encontrei e hoje posso  dizer que me sinto mais feliz por ter amigos tão especiais.&lt;br /&gt;Beijos e vou parar por aqui e deixar de lado esta rasgação de seda...rsrsrs&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-116455776666994637?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/116455776666994637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=116455776666994637&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116455776666994637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116455776666994637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/11/encontros-da-cia.html' title='Encontros da CIA'/><author><name>Kelly Fontoura</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-116423697214469328</id><published>2006-11-22T20:06:00.000-03:00</published><updated>2006-11-22T20:14:34.363-03:00</updated><title type='text'>É grande, mas vale a pena!</title><content type='html'>Caríssimos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se vocês estiverem entediados, chateados, preocupados, gripados, desavisados,  e outros "ados", sugiro que leiam esse testículo, escrito no melho estilo rato de ser:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/amorfalacia.htm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;p.s.: qualquer semelhança com algum rato conhecido, só pode ser obra de Deus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;p.s.2: copiem o endereço e colem lá em cima. Perdoem a estupidez de não saber como colocar um link nesta merda desse blogger..&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-116423697214469328?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/116423697214469328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=116423697214469328&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116423697214469328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116423697214469328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/11/grande-mas-vale-pena.html' title='É grande, mas vale a pena!'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-116373914802281786</id><published>2006-11-17T01:51:00.000-03:00</published><updated>2006-11-17T22:00:58.450-03:00</updated><title type='text'>Sempre amores. Jamais amor.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Engraçado, o processo do enamoramento. Lá estava a pessoa bem, com sua vida normal, com seu cotidiano e seus costumes. Outra pessoa, que a primeira não conhecia nem sabia da existência, também tinha sua vida normal, com seu cotidiano e seus costumes. Por acaso (e o destino resume-se ao acaso acontecido) elas se encontram em um cotidiano qualquer. Passam despercebidos um do outro. Um é uma pessoa qualquer, como vemos centenas todos os dias. Outro, também é um qualquer e conta-se às centenas. Mas digamos que a freqüência de contato torna-se constante, devido ao posicionamento social coincidente de ambos (colegas de escola, faculdade ou trabalho; vizinhos; co-parentes etc). Um dia acabam se encontrando de uma forma que exige comunicação verbal olá? tudo bem? tudo &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;e você? eu também. me chamo... e eu... prazer. foi todo meu. até. até. Aí a comunicação verbal formal passa a ser constante. Constante. Constante. Constante. Constante. Água mole em pedra mole tanto amola que um dia emula. (Talvez o ditado não seja assim. E que vá pro diabo com o ditado!) Um dos dois acaba, em um momento de cessão à Freud, reparando em outras qualidades no outro-interlocutor do olá? tudo bem? tudo &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;e você? eu também. me chamo... e eu... prazer. foi todo meu. até. até. Não é que o outro é lindo? Passa o tempo. Devido a algumas conversas... E inteligente. Mais algumas. E simpatissíssimo. Só mais algumas, prometo. Gamou. Quem sabe com o outro não se deu o mesmo processo. Em um momento de cessão à Freud, o ser já desejado, repara em outras qualidades no outro-interlocutor do olá? tudo bem? tudo &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;e você? eu também. me chamo... e eu... prazer. foi todo meu. até. até. Não é que o outro é lindo? Passa o tempo. Devido a algumas conversas... E inteligente. Mais algumas. E simpatissíssimo. Só mais algumas, prometo. Gamou. Lá está o potencial par romântico. As aproximações são agora permeadas por estratégias inconscientes e conscientes de cunho erótico. O corpo libera substâncias que invocam o sexo almejado. O perfume de R$ 56,90 impede que o desajeitado faro humano cumpra sua missão. Mas o contato segue. Em moldes mais simbólicos, uma vez que o bicho-homem não leva jeito pra ser bicho-bicho. Ai, meu Deus! Enquanto falava em bicho-bicho-bicho-bicho, os dois, olhem lá!, já trocaram telefones, MSN, orkut, youtube, fotolog, blog. Fim de expediente na sexta. Chuva. Quer uma carona? Te levo até o ponto. Aceito, caso contrário não chego em casa hoje. Não chegou. Do bar, foram pra um motel, bem ao lado. Amanhã festejam um mês de namoro. E é assim que as coisas vão acontecendo. As pessoas vão chegando em nossas vidas e vamos nos apaixonando por elas. Muitas outras poderiam ter aparecido, mas não apareceram. Foi ele. Foi ela. E pronto. Era o destino!, dizem. Mas as coisas podem ter outro formato também. Imaginem que o cara desejasse ela profundamente. Um dia, no elevador da faculdade se encontram. Ela, que já o conhecia de olá? tudo bem? tudo &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;e você? eu também. me chamo... e eu... prazer. foi todo meu. até. até., puxa assunto. Meu Deus! Logo hoje. Ele, de ressaca, não pode abrir a boca, sob risco de vomitar em cima dela. A cada frase dela ele apenas acena com rosto nitidamente artificialmente sereno. Não diz nada. Pi. Elevador no destino. Ambos saem. O cumprimento dela já é frio. Cada qual para seu lado. Ela pensa que cara chato! esnobe! A relação entre ambos se altera. Nada nunca rolou entre os dois. O amor potencial esvaiu-se no ar. Maldita ressaca! Contudo, se ele percebeu que perdeu uma garota, entretanto, nenhum dos dois percebeu que perderam um amor. Hoje um comemora um mês de namoro com Lili (do poema Quadrilha do Drummond). Outro tem um encontro marcado com um par pelo qual está perdidamente apaixonado (o J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história, do mesmo poema). Assim vai o amor. Esta idéia central da modernidade. Amores eternos que, como dizia o poeta, duram apenas enquanto duram. Amores que, potenciais, nunca se concretizam. Amores que, latentes, nunca se revelam. Amores que seriam, mas nunca serão. Amores que foram e impediram outros. Sempre amores. Jamais amor.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-116373914802281786?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/116373914802281786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=116373914802281786&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116373914802281786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116373914802281786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/11/sempre-amores-jamais-amor.html' title='Sempre amores. Jamais amor.'/><author><name>Felippe Ramos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-116312060936946659</id><published>2006-11-09T22:00:00.000-03:00</published><updated>2006-11-09T22:04:03.886-03:00</updated><title type='text'>"Republico mesmo!" Parte 2 - Eficácia Política X Eficácia Simbólica</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os solterapolitanos já viram. Fomos brindados com algumas daquelas faixas que surgem em época de eleição: " Deputado não-sei-das-quantas deseja sorte para nossa seleção!". É engraçado como esse tipo de marketing funciona. Apesar de não saber exatamente como isso se dá lá fora, tenho uma inclinação pela idéia de que esse tipo de coisa só funciona aqui no Brasil, com nossa cultura politica personalista e até mesmo maniqueísta. Mas esse não é o ponto, nesse texto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que achei interessante é um paralelo, um tanto quanto grosseiro, que pode ser feito entre esse tipo de simbolísmo político, se podemos chamar assim, e a simbologia das tribos indígenas e dos xamãs. Em " Antropologia Estrutural", Levi-Strauss mostra de forma bastante interessante como funciona o mecanismo de cura xamanística. Ela é, antes de tudo, uma reestruturação dos acontecimentos empíricos dentro de um sistema simbólico socialmente convencionado entre os índios. Uma doença, ou um parto difícil, traz ao seio social fatos extraordinários, ou seja, que não podem ser explicados nem colocados em ordem senão pela explicação sobrenatural, que se constitui num sistema de símbolos, da qual o xamã é principal guardião. Os mecanismos materiais da cura, que podem parecer aos nossos olhos ocidentais um charlatanismo vagabundo, são muito mais complexos que isso. Basta dizer que o xamã crê de fato que aqueles procedimentos estimulam os espíritos e outros fatores sobrenaturais, ocasionando na cura. Contudo, a cura vem, na verdade, pelo ordenamento das acontecimentos, o qual o mito oferece ao doente. Entendo a sequência de acontecimentos previstos pelo mito, o corpo do individuo acaba trabalhando em prol da cura física, fisiológica, porque pode sentir que essa é a ordem natural das coisas, e não o fim dos tempos, uma desordem absoluta. Entraria aqui a explicação de uma noção de incosciente que deixaria o texto mais chato ainda. Basta dizer que a saída que o mito oferece frente ao caos - que é comuma nós ocidentais, na psicanálise - é a chave para a cura. A simbologia, ordenada, é eficiente, justificando o título desse pequeno devaneio.&lt;br /&gt;Na politica brasileira, numa analogia já sabidamente grosseira, ocorre algo semelhante, com algumas diferenças básicas. Os problemas,ou a desordem é também empírica: o individuo não tem emprego, a rua não tem asfalto, o poste não tem luz;o politico, muito bem assessorado, oferece o mito da salvação: o homem bom, honesto, trabalhador, patriota, que vai chegar no poder e resolver todos os problemas. O homem do povo, a voz do povo frente aos "poderosos". As pessoas, fascinadas pelo mito votam, e elegem. O grande problema é que, nesse caso, apenas o mito oferecido, e a solução que ele traz à confusão psiquica, não corresponde a realização da "cura" no plano físico. O mito não resolve. Ao contrário do xamã, que provoca na doente a reação à doença e a cura, a eleição dos "homens do povo", carregada de mitologia, não acarreta no ordenamento imediato das idéias da forma que poderia resolver de fato os problemas do povo. o mito acaba personificando a luta de toda uma classe, colocando na mão de uma figura a solução de suas vidas, quando o que, na humilde opinião desse que vos fala, o que resolveria a "doença social" seria a tomada de consciência, tornar a classe mais crítica, e fazê-la perceber que apenas com junção de esforços e com a luta organizada se pode travar os objetivos contrários aos seus, fazendo com que a desordem empírica suma. De fato, aqui a desordem no plano das idéias, que quando desfeita desfaz a desordem no plano físico, não pode ser sanada apenas pelo "homem do povo", pelo mito que ele traz. O político que, sabendo disso, usa o mito apenas parar fins pessoais, não merece de nós a mesma admiração que o xamã faz por merecer. A eficácia simbólica do segundo, ainda que não lhe seja possivel compreende-la, cura. O politico é desonesto: oferece um mito inútil, ou útil apenas para si próprio, na medida em que ele alcança objetivos pessoais, o que pode ser chamado( eu, pelo menos, acho que pode...) de "eficácia política".&lt;br /&gt;Até quando a "eficácia política" irá travar a luta pela "cura" para nosso povo? Até quando ela irá travar um processo que seja mais justamente comparado com a "eficácia simbólica"? Mais uma daquelas perguntas para qual não pretendo formular respostas...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;                                      &lt;span style="font-style: italic;"&gt;  Escrito em 10/06/2006&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-116312060936946659?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/116312060936946659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=116312060936946659&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116312060936946659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116312060936946659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/11/republico-mesmo-parte-2-eficcia.html' title='&quot;Republico mesmo!&quot; Parte 2 - Eficácia Política X Eficácia Simbólica'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-116230916099924453</id><published>2006-10-31T12:36:00.000-03:00</published><updated>2006-10-31T12:39:21.003-03:00</updated><title type='text'>"Republico mesmo!" Parte 1 - Sobre amigos e universos semânticos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Amigos são a família que escolhemos ter. A frase é um clichê antigo, mas válido. Contudo, cabe acrescentar que essa escolha é sempre limitada pelo nosso pequeno universo. Na nossa sociedade pós-moderna, onde os homens correm a todo instante atrás de seus horários e atividades,invertendo a ordem minimamente inteligível das coisas,ninguém perde tempo com atividades fúteis como fazer amigos. Se podemos ao mesmo tempo estar na faculdade e faze-los, tudo bem. Se não, sobrevivemos sem eles. Desta forma, nosso universo de amizades torna-se bastante limitado. Os amigos da faculdade, os amigos do trabalho... O mundo capitalista das maravilhas consumíveis forma pessoas cada vez mais limitadas, presas nos seus próprios mundinhos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Refletindo sobre isso, pensei nos amigos de infância. No quanto é embaraçoso encontrá-los. É estranho demais... Algumas pessoas chegam a evitar esse tipo de encontro. O motivo é simples: depois dos cumprimentos, a única pergunta que sobra é " e ai, como você tá?" . Depois disso, o papo que sobra é inversamente proporcional à quantidade de tempo que essa pessoa deixou de fazer parte de seu "mundo". Amigos deixam de serem amigos cada vez mais rápido, nos dias de hoje. E por que será?&lt;br /&gt;Sem querer afirmar, com todas as letras, que a Antropologia pode nos ajudar a refletir sobre inúmeras dessas questões intrigantes - nem muito menos confessar que ela pode acabar fundindo de vez a cuca dos que se entregarem totalmente aos seus "objetivos" -, digo que a noção de universo semântico, usada como pano de fundo por Geertz em "A Interpretação das Culturas", é muito válida nesse sentido. Geertz, interessando em entender culturas diversas da sua, supõe que, havendo dois universos semânticos, ou campos de significação do real( ou ainda simplesmente culturas) diversos, a zona de interpenetração entre eles permitiria uma compreensão, por parte do antropólogo, de alguns aspectos da cultura alheia. Essa interpretação teria como consequência um aumento da área de interpenetração entre as culturas, fazendo com que fosse possivel, a cada novo aumento, entender mais e mais aspectos de uma cultura diversa. É bem mais fácil entender se os amigos pensarem naqueles esquemas que nossos ilustres professores de matemática usavam para representar conjuntos numéricos que possuem números em comum. É como se a intersecção crescesse a cada nova interpetração antropológica.&lt;br /&gt;Se ficou chato, não importa muito; o que queria era resgatar a idéia de universo semântico. É engraçado como na nossa atual sociedade os universos semânticos se subdividem e, por consequência, se mutiplicam a cada dia, a ponto de você não conseguir estabelecer um diálogo de mais de três minutos com alguém que fora seu bom amigo a pouquíssimo tempo. As pessoas estão cada vez mais enfiadas em suas atividades, nos seus horários, nos seus problemas, que acabam reduzindo ao limite extremo sua rede de amigos ( reais, orkut não vale...). É aquela história, antes tinhamos pessoas que sabiam quase nada de quase tudo; hoje, nos tempos do "especialista", temos pessoas que sabem quase tudo de quase nada. Um doutor em articulações dos dedos do pé... Me diga, caro leitor, o que você poderia conversar com um doutor em dedos dos pés?&lt;br /&gt;Soluções para tal mal do mundo pós-moderno não são assim tão fáceis. Talvez um pouco de atitude "antropológica", no sentido de estar sempre querendo avançar no universo semântico dos velhos amigos, exigiria muita disciplina, além de uma coragem enorme de se empenhar numa atividade que poderia deixar qualquer um maluco...Em que cabeça cabe, tudo junto, o universo semântico daquele doutor em dedos do pé e de um cobrador de ônibus, por exemplo? Ser antropólogo é dar um passo largo em direção à loucura... Tô fora!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-116230916099924453?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/116230916099924453/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=116230916099924453&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116230916099924453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116230916099924453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/10/republico-mesmo-parte-1-sobre-amigos-e.html' title='&quot;Republico mesmo!&quot; Parte 1 - Sobre amigos e universos semânticos'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-116223530660528004</id><published>2006-10-30T16:04:00.000-03:00</published><updated>2006-10-30T16:08:26.616-03:00</updated><title type='text'>Nietzsche, Parsons e o Crime</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Estava retornando da Faculdade para casa em uma manhã rotineira: vazia, sonolenta e triste. Como de costume, estava no ônibus, dividindo meu tempo entre breves cochilos e devaneios filosóficos. Ao parar no ponto de ônibus do Hospital Sarah (vou escrever só Sarah, pois não sei escrever Kubistchek), uma cena insólita acontece: um ladrão rouba a bolsa de uma garota que, como defesa, começa a gritar muito. A confusão se estabelece: eu despertei de devaneios e cochilos; as pessoas se alvoroçavam, gritavam “pega ladrão”, comentavam o ocorrido e lamentavam a situação de insegurança que acomete a todos aqueles que não podem se trancar em guetos voluntários de elite; os ladrões correm. Eu permaneci em meu lugar. E confortavelmente sentado vi os três ladrões atravessarem a Avenida Tancredo Neves. Eram menos do que adolescentes e o mais velho não aparentava ter mais de doze anos de idade. O que carregava a bolsa beirava os dez anos. Era claro que a correria tinha um destino: um matagal próximo. De repente, surge o segurança de uma loja de móveis com arma em punho e bang! Dois tiros se ouvem. Mais alvoroço. O segurança mirou claramente no peito dos meliantes. Graças a sua imbecilidade congênita errou o alvo. Os garotos ladrões fugiram. A vítima ficou no ponto de ônibus. Este, por sua vez, seguiu viagem. Eu voltei aos meus devaneios. E a manhã rotineira: vazia, sonolenta e triste.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Contudo, flagrei-me em devaneios que levaram em conta a situação passada. Ouvindo a manada mugir que ladrões deveriam ser extintos da face da Terra, lembrei-me imediatamente de Nietzsche, para o qual os criminosos são homens fortes – super-homens – em situação desfavorável. Para o filósofo, a moral cristã enfraqueceu os homens e os incita a permanecerem quietos e dóceis, mesmo quando explorados – a recompensa estaria no reino dos céus. O criminoso, no entanto, não se deixa enganar como a manada pacífica: quebra as normas e cria as suas próprias – a sobrevivência digna como fim em si mesma. Se ninguém lhe reconhece a dignidade, então que sofram as conseqüências. Na sociedade de consumo a situação se agrava, pois os indivíduos são inseridos na sociedade através de seu potencial econômico. Esta é a nova condição de cidadania: a substituição do cidadão pelo consumidor. No entanto, o desemprego estrutural tem alijado milhões de pessoas da esfera do consumo. Que fazer, então? A manada vai para a Igreja Universal. Os fortes vão para o crime.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Obviamente, não gostaria de ter sido a vítima dos marginais. A questão aqui não é de complacência com os criminosos, vontade de ser seu amiguinho ou de assumir o lugar de suas vítimas. Trata-se, aqui, de uma tentativa de análise amoral dos fatos. Também não é uma análise ao nível individual, mas estrutural. E a estrutura excludente fabrica ladrões de dez anos de idade. Podem criar FEBEMs. Elas irão profissionalizá-los.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Também é certo que, desde Durkheim e mais especificamente com o funcionalismo parsoniano, o crime é, ao nível sociológico, encarado como patologia social, disfunção ou desvio. De fato, também é verdade que, independente das causas do crime, a sociedade criará mecanismos de punição aos criminosos. Isso é o óbvio. Não fosse o Parsons tão imbecil perceberia, contudo, que os índices de criminalidade variam de sociedade a sociedade e, na mesma sociedade, de tempos a tempos, devido não a disfuncionalidade intrínseca previsível em qualquer sistema social, mas devido a condição social na qual vivem parte dos indivíduos em relação àquilo que a sociedade considera a vida digna. Daí diferenças de criminalidade entre Suécia e Brasil se explicarem ao nível social e não em referências a essências suecas ou brasileiras.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Resumindo. Ao nível social, a desigualdade cria o criminoso. É aquela velha questão do "a sociedade cria o crime, o criminoso o executa". Ao nível filosófico, este é o homem forte, que se recusa a ceder às falácias da Igreja Universal e vai de encontro a toda moral judaico-cristã estabelecida - se a moral é ajudar o próximo, este o estraçalha. Ao nível individual, que cada um se proteja! Estamos na sociedade do individualismo extremo onde a máxima é “salve-se quem puder”!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-116223530660528004?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/116223530660528004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=116223530660528004&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116223530660528004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116223530660528004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/10/nietzsche-parsons-e-o-crime.html' title='Nietzsche, Parsons e o Crime'/><author><name>Felippe Ramos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-116155444682674306</id><published>2006-10-22T17:46:00.000-03:00</published><updated>2006-10-22T19:00:48.163-03:00</updated><title type='text'>Um olhar de um pseudo-sociólogo turista sobre a cidade maravilhosa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Caros amigos, para os que não sabem, eu estou passando alguns dias no Rio de Janeiro. Eu gostaria de fazer um relato de um turista que se apaixonou perdidamente pela cidade. Sinceramente, agora entendo quando meus amigos diziam que Salvador é uma província, um feudo. Salvador é, simplesmente, um lixo, como diz um amigo meu, comparado ao Rio de Janeiro. Pelo que vi - e só posso dizer do que vi, obviamente -, o Rio de Janeiro é muito melhor que Salvador. Digo isto também porque estou hospedado no Leblon e, até agora, só visitei os pontos turistícos, seguros e bonitos da cidade.  Claro está, também, que estou completamente encantando com a cidade e, neste momento, não tenho condições mínimas de tentar manter a minha objetividade. Mas, enfim, o Rio de Janeiro é, simplesmente, lindo. O clima é totalmente diferente. É possível ver as pessoas aproveitando a sua cidade, andando no calçadão, usufruindo das praças e desenvolvendo uma sociabilidade - ainda que seja entre iguais, como vou falar mais adiante. Uma outra coisa que me chamou minha atenção, e como não poderia deixar de ser, pois sou filho de minha sociedade, foram as mulheres. As mulheres daqui são lindas demais. Meu Deus!!!!!!!!! Como as cariocas são lindas, cheirosas, arrumadas, sofisticadas, charmosas. Realmente, cheguei a conclusão de que Salvador não chega aos pés do Rio, ainda que as mulheres de Salvador, talvez, possam dizer que os homens de Salvador não chegam aos pés dos homens do Rio. Uma assertiva não anula a outra. Realmente, gostaria de parar por aqui, mas, como pretenso sociólogo, não pude deixar de observar três coisas que chamaram muito a minha atenção aqui no Rio:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;1. Da incivilidade da classe média carioca e do estresse como bem comum&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Meus queridos amigos, pude sentir como a elite pode ser bossal e exclusivista. Ao contrário da elite de Salvador, a elite do Rio aproveita a estrutura urbana e as opções de lazer público que a cidade lhes oferece. Em Salvador, a elite frequenta apenas os espaços privados e no máximo a praia de Alelúia, nos finais de semana. Entretanto, aqui no Rio, pude perceber como a elite é incivilizada, estressada e egoísta. Vou lhes contar três situações vividas por mim e por Léo, meu companheiro de bolsa de pesquisa e de viagem. A primeira situação foi quando estávamos saindo do prédio onde estamos hospedados, com duas bicicletas. Estávamos sem as chaves da porta do fundo e decidimos sair pela frente quando uma velha nos "flagrou" e fez questão de nos dar o maior sermão. O problema não foi o sermão, mas a falta de civilidade com que ela nos tratou, reclamando que o pessoal não liga para o prédio e coisas afins. O problema é que explicamos a ela que éramos hóspedes de um dos apartamentos e que, no momento em que estávamos saindo, não havia nenhum dos nossos anfitriões para nos orientar como agir, ao sair com as bicicletas. Ainda assim, a velha nos encheu o saco e saiu resmungando, mesmo com todo o nosso cuidado de pedir desculpas e explicar a situação. Ao pedirmos desculpas, ela respondeu: "Tudo bem. Já me chateei mesmo!". Enfim, as outras situações foram no calçadão e nas ruas internas do Leblon. Por duas vezes, eu observei as pessoas se estressando com as outras porque estas últimas estavam conversando no meio da passagem. Os comentários foram, mais ou menos, esses: "Que droga. Esse povo pára e não deixa a gente passar direito." Uma outra vez, no calçadão, estávamos pedalando tranquilamente e em paz quando uma mulher passou e reclamou: "Presta mais atenção". Ah, há ainda outra situação. Hoje, quando estávamos no Cristo, Léo subiu no parapeito para tirar uma foto. Logo que ele subiu, e antes que eu pudesse bater uma foto, mais uma vez, uma velha teve o prazer de dizer que era proibido e saiu dando risada, com um prazer quase sádico. Sinceramente, eu achei os cariocas de elite muito chatos, principalmente as pessoas mais idosas. Me perdoem a gerontofobia, mas que povo insuportável, raNzinza e incivilizado. Observei que embora a sociabilidade pareça florecer nos espaços públicos do Rio, ela é marcada por essa incivilidade e pela separação dos diferentes - disto eu falarei mais adiante, quando for falar do padrão racial da segregação no Rio. Uma outra coisa sobre a incivilidade é o estresse que vi nortear a relação entre as pessoas. Neste momento, não falo apenas da elite, pois vi estas cenas ocorrerem com trabalhadores. Na primeira situação, um caixa de uma agência de turismo atende uma ligação quando um cliente - que se anuncia como Coronel - pede para ele ver na loja do lado a cotação da libra. O caixa estava nos atendendo e não pôde sair para ver a cotação e passou a ligação para algum superior que passou o pedido para o caixa do lado. Neste momento, o caixa que estava no atendendo começou a reclamar e se estressar, dizendo que o coronel do telefonema e o seu chefe iam pensar que ele não foi ver o cambio por má vontade. Quando o outro caixa voltou, começou um bate-boca no meio da loja e na frente dos clientes. Quando, enfim, terminou,  o caixa que estava nos atendendo falou: "Xó porque é coroniel, acha que eu tenho obrigaxção. Vai txi laxcar", em bom "carioquês", o que me fez dar boas risadas depois. Continuando, vi duas brigas no trânsito também. Um fiscal discutindo com um motorista que parou no lugar errado e um taxista muito "cavalo", me perdoem o termo chulo, que fez questão de parar e xingar uma mulher que estava dirigindo o carro da frente, apenas porque ela parou um pouco perto do meio fio para se certificar de onde deveria entrar. O taxista foi, realmente, muito bruto e estúpido com a mulher, a ponto de eu ter vontade de intervir. Mas, enfim, achei os cariocas muito estressados e, demasiadamente, incivilizados. Na verdade, nem  todos. Tive o prazer de fazer amizade com uma vendedora de cerveja da Lapa e ela foi muito simpática conosco. Na verdade, eu acho que o habitus de classe explica um pouco da incivilidade da elite e a pressão pela manutenção da vida cotidiana pode ajudar a explicar os motivos do estresse nas relações ou nos horários de trabalho. Entretanto, isso não impede que eu diga que achei essa cidade muito incivilizada em termos de relações interpessoais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;2. O padrão racista da segregação socioespacial&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Neste ponto, a minha observação é meio que um truísmo. Mas, realmente, pude percebê-la na prática. Por toda a Zona Sul, ou pelos lugares que andei - Copacabana, Leblon, Ipanema, Arpoador, Lapa (um pouco menos) -, quase não avistei negros frequentando os lugares, apenas como trabalhadores. Me estranhou, principalmente, o Leblon. Eu quase não vi negros no Leblon, com excessão, como disse, dos trabalhadores. Mesmo sem ter ido a nenhuma favela ou a nenhum bairro popular, eu pude perceber como a Zona Sul é um mundo diferenciado, porém, artificial. É uma área totalmente dotada de estrutura, segurança, uma orla linda e totalmente exclusivista. Bom, assim eu pude perceber. A hipótese óbvia da divisão histórica da sociedade brasileira - negros x brancos - continua a existir, pois, no Rio, enquanto os negros moram nas favelas, a elite branca vive uma existência diferenciada, morando no Leblon e se assistindo todas as noites na tela da globo, enquanto que os negros e favelados apenas se assistem no Jornal Nacional quando há tiroteios e mortes no Rio, dos quais eles acabam sendo culpados pelo imaginário social.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;3. O medo da violência atrapalha as relações de sociabilidade?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Uma outra coisa que me chamou muito a atenção foi a questão do transporte coletivo. Primeiro que me surpreendeu saber que os ônibus rodam 24h, enquanto em Salvador, as 22:00h, as pessoas já ficam com medo de não voltar mais para casa. Eu sai do Leblon as 22:30h, de ônibus, em direção á Lapa e voltei as 1h da manhã, chegando no Leblon as 1:40h. Ainda tive que andar uns 10min pelas ruas do Rio de Janeiro e de madrugada até chegar no local onde estou hospedado. Confesso que, antes de ir á Lapa, estava com um pouco de receio. Mas, na volta, não tive receio nenhum. Não tive o mínimo medo de andar pelas ruas do Rio de Janeiro, de madrugada (é bom frizar). Interessante como as pessoas também não parecem ter medo de manter seus hábitos e costumes. Uma coisa que me chamou a atenção foi o ônibus. O ônibus que peguei passou pelo Leblon, Ipanema, Copacabana e Botafogo. Em todos estes bairros, que me parecem ser de classe média alta, fora Botafogo que ainda me parece um pouco mais de nível médio, eu vi pessoas destas classes se utilizando do transporte coletivo em plena noite. Isso não acontece em Salvador. A elite de Salvador não anda de ônibus, e ainda mais, para ir à festas a noite. Isso, para mim, foi uma surpresa. Eu vi não apenas jovens de classe média pegando ônibus no sábado a noite, mas também pessoas um pouco mais velhas, mas todos de classe média. Aí eu me pergunto, o Rio de Janeiro é tão violento como nos mostra a mídia ou a violência não chega nos bairros da Zona Sul e nos pontos turísticos? Eu cheguei a uma conclusão preliminar depois que um dos nossos anfitriões disse que nunca foi assaltado no Leblon e nunca ouviu ninguém dizer que foi assaltado por essas áreas. Para mim,parece que o Rio de Janeiro oferece uma qualidade de vida alta para suas elites, principalmente para aqueles que vivem na Zona Sul, enquanto que, durante a noite, o BOP (Batalhão de Operações Especiais da PMRJ) sobe o morro no Caveirão - carro parecido com um tanque de guerra, a prova de balas - para continuar a guerra do poder público contra os favelados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-116155444682674306?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/116155444682674306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=116155444682674306&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116155444682674306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116155444682674306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/10/um-olhar-de-um-pseudo-socilogo-turista.html' title='Um olhar de um pseudo-sociólogo turista sobre a cidade maravilhosa'/><author><name>Rafael Arantes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12909663327175774884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-116152883018371928</id><published>2006-10-22T11:52:00.000-03:00</published><updated>2006-10-22T11:53:50.190-03:00</updated><title type='text'>.</title><content type='html'>tou começando a adorar esse negócio de caps lock&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-116152883018371928?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/116152883018371928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=116152883018371928&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116152883018371928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116152883018371928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/10/blog-post.html' title='.'/><author><name>Felippe Ramos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-116060056385433710</id><published>2006-10-11T18:00:00.000-03:00</published><updated>2006-10-11T18:13:04.416-03:00</updated><title type='text'>Em busca da terra do nunca</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Juventude. Fase da vida repleta de sonhos. Repleta, também, de mudanças. E a cada mudança &lt;u&gt;na&lt;/u&gt; vida, muda-se também &lt;u&gt;a&lt;/u&gt; vida. Cada término, um novo recomeço. Às vezes muda-se tudo. E do velho restam apenas as boas lembranças. E nas lembranças, até o que foi vivido como algo ruim transmuta-se milagrosamente em algo bom; o que foi amargo passa a ser uma doce lembrança de um tempo que se foi. Fica sempre a impressão de que uma parte de nós mesmos foi junto com o tempo e que agora somos já uma outra coisa: mais maduros, sim, mas também menos crianças – o que é grave.    &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Há cerca de um mês atrás um ex-colega meu de segundo grau me enviou uma mensagem de celular. Tinha ido morar no interior do estado e havia acabado de retornar à capital para trabalhar. Não nos vemos desde o término do terceiro ano. Éramos muito bons amigos e dividimos momentos maravilhosos juntos. Lembro de todas as nossas bagunças – e olha que éramos demasiado bagunceiros. Mas ele já não é ele. Eu já não sou eu. Ambos mudaram. Ele se tornou um trabalhador não sei de que. Eu me tornei um indivíduo intelectualizado que fica lendo Locke e Nietzsche. Há um fosso entre nós. O reencontro passa a ser algo doloroso: ambos descobrem que a dupla de amigos do segundo grau já não mais existe. Resta apenas a lembrança.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Esta situação me fez lembrar que em junho do ano que vem eu concluo o terceiro grau. Será mais uma transição do tipo acima colocada. Mais uma vez haverá a despedida de amigos feitos que prometerão manter o contato, pactos serão tecidos em vista de manter a ligação amical, mas a maior parte nunca mais se verá – ou quando eventualmente se ver já não se saberá mais como agir um em relação ao outro. Será uma situação no mínimo desconfortável, racional, cautelosa e distante. A amizade escolar tem um contexto e encerrado o contexto encerra-se a amizade. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O grupo que hoje compõe este blog é bem sintomático do que digo. Sete indivíduos que entraram juntos no curso, em 2003, e conviveram até o final. Não sem momentos de estranhamento mútuo e distanciamento. Questões políticas, ideológicas, pessoais etc causaram distâncias que, às vezes, duraram semestres. Poderia ser traçada uma curva estatística de densidade amical que resultaria em uma parábola: no início, uma grande amizade regada a álcool e bagunça; depois um distanciamento; por fim, a religação mítica através do contato acadêmico que se transformou em um contato endêmico.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Nunca a amizade foi tão forte: encontros ao sábados, chapa renovadora para o D.A., cervejas, conversas, discussões, brincadeiras e jocosidades, atravessamentos, caranguejos e papos de MSN. &lt;span style="font-family: georgia;font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Agora pressente-se que o momento da despedida se aproxima.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A situação é particularmente mais grave em relação a dois colegas que provavelmente nos deixarão por um tempo para curtir ares mais civilizados no centro mundial do capitalismo. Ao voltarem, eu estarei saindo. Se tudo der certo saio de Salvador, e aí o distanciamento estará completado. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Não falo do distanciamento total, da ausência de um contato esporádico e burocrático; ademais, resta ainda o contato virtual, proporcionado pelos MSNs e Orkuts. Mas já não mais será o mesmo tipo de contato. Poderemos ser um dia colegas de departamento, mas aquela amizade bonita era do tempo de graduação. Poderá surgir uma nova amizade bonita, mas será sempre de um outro tipo. Ao concluirmos o nosso curso, concluímos socialmente uma fase de nossa vida: crescemos. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;É assim que hoje entendo colegas que fazem de São Lázaro uma moradia e recusam-se a completar seus cursos. São como Peter Pan e recusam-se a crescer; recusam-se a entrar numa nova fase que já não comporta os sonhos pueris compartilhados tão fortemente em coletividade; recusam-se a entrar no mundo real da competição e da solidão. É ainda um resquício da tentativa de construção de um mundo alternativo que tanto empolgou a juventude nas décadas de 60 e 70. No entanto, a realidade está às portas e parece que todos deste blog por elas entrarão. Transporemos juntos a portinha do EXIT mostrada no Show de Truman, mas do lado de fora inevitavelmente nos despediremos. Cada qual terá que cuidar de si, tomar seu próprio rumo, pois este é o peso que a responsabilidade existencial, como nos diz Sartre, nos coloca. Restará sempre, no entanto, a lembrança daquilo que foi sublime; do contato que nos acrescentou e nos deu uma transcendência momentânea.&lt;/p&gt;Virão sempre outros contatos e sempre outras despedidas. E que não sejamos tão infelizes a ponto de perdermos de vista a busca da terra do nunca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-116060056385433710?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/116060056385433710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=116060056385433710&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116060056385433710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/116060056385433710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/10/em-busca-da-terra-do-nunca.html' title='Em busca da terra do nunca'/><author><name>Felippe Ramos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115992451485404349</id><published>2006-10-03T22:14:00.000-03:00</published><updated>2006-10-03T22:15:14.866-03:00</updated><title type='text'>“Uma nuvem se dissipou na Bahia”: sobre um turbilhão.</title><content type='html'>No domingo, 01/10/2006, os brasileiros voltamos às urnas para escolher novos calhordas e projeto de políticos para as instâncias representativas de nosso país. Com um clima diferenciado do último pleito para presidente fomos às urnas sem o espírito do “estamos votando no salvador da pátria”. Desta vez fomos às urnas para votar num modelo de política que era menos pior (desculpem-me o desagradável trocadilho) para o país. Aqui falo por mim e algumas pessoas mais próximas. Votamos e fomos para nossas casas aguardar o processo de apuração de votos por volta das 17h. Iniciada a contabilização dos votos começamos a nos surpreender com o resultado das urnas na Bahia. Já no início da contagem Wagner apareceu com mais de 50%, numero que se manteve até a totalização. Estava numa festa de aniversário e assim que percebemos que não se tratava de contagem das urnas da capital nas parciais começamos a beber mais para “bebemorarmos” – como se precisássemos de mais um motivo para avançar a embriagueis! Esperei a confirmação da eleição, por volta das 23:30, para ir dormir completamente bêbado. Fui para a cama de alma lavada – num sentido figurado-1 e figurado-2 da expressão “alma lavada”. Acordei percebendo algo diferente naquele dia... me sentia redimido. Preparei-me para ir a faculdade, pois, sem dúvidas, lá teriam pessoas falando deste belíssimo processo e ávidas por falar. Ao chegar ao ponto de ônibus percebi que aquele sentimento de leveza era algo que fluía pelas ruas... Aqui começa a jornada de um pretenso Sócio-antropólogo (ou Antropólogo-social) louco – estava louco por escrever isso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei ao ponto de ônibus e logo percebi que o sentimento inaugurado com o resultado do pleito do domingo, em que Wagner ganhou o governo do estado no primeiro turno, na contramão das pesquisas estatísticas/especulativas (eca!!!), perpassava grande parte dos transeuntes. O vendedor da banca conversava com as sentinelas da corregedoria de polícia do estado sobre a “surra que ACM levou”. A senhora ao meu lado sorriu das gritarias do vendedor com o policial e puxou conversa comigo: “Mas foi lindo, num foi meu filho?! Eu votei no PT porque já tava na hora de mudar (...)”. De repente quatro GT´s, grupos de trabalho, formaram-se ali no ponto de ônibus, para se discutir o novo panorama político do estado, aliás, mentira... para se discutir o cacete que os baianos demos no coronecarlismo... Estávamos conversando, pois precisávamos ser parte daquilo que estava no ar... Precisávamos re-viver a noite passada e a conversa, o falar sobre, a gozação com o “bundão” do ACM, era a forma de sermos parte daquele momento histórico de nosso povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei legal aquela situação e à medida que os ônibus iam chegando os grupos iam sendo re-configurados. Quando meu ônibus chegou me despedi da turma do ponto e entrei nele com um turbilhão no peito. Já sentado percebi que algumas pessoas falavam sobre a mesma coisa. Comecei a prestar atenção nos argumentos e fiquei encantado com aquele sentimento que nos perpassava. Era algo novo, diferente das eleições presidenciais passada, talvez até mais significativo. Foi então que comecei a pensar no que teria contribuído para esse movimento silencioso que levou 54% da população a destituir o carlismo (mais tarde perceberia, nas ruas, que isso era mais dito, que a própria eleição do candidato petista). Estava mais decidido e não via a hora de chegar ao Pátio Raul Seixas, lócus privilegiado para divagações em nossa capital, pois queria continuar falando sobre o tema. No ônibus já tinha decidido observar e não interagir com os observados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegado ao Pátio, não notei outro assunto. Pequenos grupos, a faculdade estava vazia, conversavam sobre o tema. Tratei de encontrar um, o que não foi difícil. Sentei numa mesa onde os militantes do DA de História deixaram cartazes que estavam sendo fixados na parede. Imediatamente avistei um colega de curso e começamos a conversar sobre a questão. Começamos esta conversa por volta das 09:30, e, entre o entra e sai de pessoas desta mesa, terminamos por volta das 13:30. Inúmeras pessoas passaram por nosso GT no pátio e sempre demonstravam uma euforia com a destituição do carlismo. Um momento auge foi o clima de gozação que se instalou quando um pobre espírito do PSTU resolveu participar do papo. “Se você quiser fazer a discursão agente faz” (o pobre diabo tentava desqualificar a nossa empolgação), pobre coitado... saiu da mesa com um caroço na goela com o que o fizemos ele ouvir e com as risadas. Todos riam da pobre criatura que acusava o PT de ser parte de um projeto neoliberal estruturado pelo FMI...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após as 13:30 eu e aquele primeiro amigo de pátio nos despedimos e resolvi dar umas voltas pela cidade para sentir mais de perto aquele clima. Queria obervar mais manifestações daquele sentimento de grande número de pessoas. Sentimento que poderia ser sentido nas ruas – uma experiência de politização na vida cotidiana. Saí da faculdade e fui para o Shopping Barra. Algumas pessoas conversavam, mas nada caloroso como tinha percebido até ali. Saí e fui para a região do Farol da Barra. Comprei um coco e o “povo”, o rebanho (como Nietzsche nomeia o que temos chamado de manada), estava exaltado, tal qual minhas primeiras constatações. Sentei num dos bandos públicos e comecei a observar. Novamente regozijei com aquelas calorosas conversas. Era o chamado populacho manifestando algo novo... um sentimento que me parecia ser de quebra de grilhões. A Bahia amanheceu livre de mais de quarenta anos de coronecarlismo. O processo de renovação revigorou os ânimos dos baianos e isso era palpável, era concreto, podia ser experienciado por qualquer um, todos éramos parte de um processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado algum tempo resolvi ir até a Piedade e ao Pelourinho. Chegado à Praça da Piedade imediatamente me deparei com gritos, com conversas exaltadas, e mãos que sacudiam um jornal do dia. Era um grupo de senhores e dois vendedores de café que conversavam sobre a “merecida surra de ACM”. Sentei ao lado deles e só então me dei conta que aquela eleição valia mais pela destituição que pela própria eleição.  Aquela conversa era a mais efervescente de todas. E, por toda a praça só se conversava sobre a vitória de Wagner, a surra de ACM, a cara de Paulo Souto na entrevista, a derrota dupla de ACM com a derrota de Tourinho e Souto nas urnas, entre outros mesmos temas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi ouvindo uma outra conversa na “praça da Cruz Caída”, na antiga Sé, que me dei conta de um outro elemento. A propaganda do PT “Vote do time de Wagner e Lula” criou um contra-ponto prático: “Não vote no time de ACM”. Já tinha ouvido isso numa linha de ônibus para o Nordeste de Amaralina: “agente não podia votar de novo no time deles [de ACM]... eles já tem muito tempo aí...”. No pelourinho, dois policiais, três rapazes e uma “baiana” conversavam sobre o assunto do dia e referiam-se ao time de ACM. Em momento algum falaram em time de Wagner e Lula. Por um lado, isso deixava este processo de distituição/eleição mais evidente, por outro a despeito dos números das pesquisas do IBOPE, Data Folha e Vox Populi, a propaganda podia ter motivacionado, insuflado, mexido... numa disposição latente nos baianos. Parecia ser notório o patamar de cinismo dessa manutenção do carlismo na Bahia à base de propagandas. Faltava algo que alavancasse o sentimento contra um esquema político de alternância no poder. Fiquei pensando se o que estava sendo dito sobre a propaganda não apontava para uma eficácia midiática. Foi esta propaganda que deflagrou um processo silenciado pelos números das pesquisas quantitativas-especulativas? O que levou a esse movimento calado de desejo de destituição do coronecarlismo nas urnas? A surpresa dessa destituição-eleição deveu-se a um movimento silencioso para que não houvesse uma decepção maior com re-eleição de Souto? 54% dos eleitores deram seu voto a Wagner na tentativa de um segundo turno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo estas interrogações, pois não quero especular além do que já fiz. Quero compartilhar um dia de caminhadas pela cidade em busca de sentir mais de perto o turbilhão que movimentava os ânimos daquela segunda-feira. Meu ponto é este sentimento que estava visitando os baianos que se sentiam parte do processo. E porque não dizer todos os baianos? Quando cheguei em casa um dos membros da minha família estava cabisbaixo porque não queria uma re-eleição de Lula e ansiava por uma “surra” no PT. Ele era contra as “safadezas do governo Lula”. A questão é que ele estava emocionalmente afetado com o mesmo processo. Chateado, não gostou, mas algo o incomodava... o mesmo processo de destituição/eleição o atingiu de algum modo. O que percebi foi que o sentimento de “alma lavada” atingiu a todos ou a grande parte dos baianos, de uma forma ou de outra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115992451485404349?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115992451485404349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115992451485404349&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115992451485404349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115992451485404349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/10/uma-nuvem-se-dissipou-na-bahia-sobre.html' title='“Uma nuvem se dissipou na Bahia”: sobre um turbilhão.'/><author><name>Murilo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115957751330104161</id><published>2006-09-29T21:07:00.000-03:00</published><updated>2006-09-29T21:51:53.686-03:00</updated><title type='text'>Da chatice do politicamente correto...</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Caros amigos, constantemente eu venho sendo chamado a atenção devido a alguns "deslizes" nos termos que utilizo para algumas brincadeiras. Sinto na pele, quase que diariamente, algumas restrições relativas, principalmente, às brincadeiras que costumo fazer que, para alguns, são politicamente incorretas ou homofóbicas, sexistas, racistas, facistas e mais todos os "istas" que puderem imaginar. Entretanto, acho a imposição dos termos "politicamente corretos" uma chatice e uma verdadeira castração intelectual e humana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Considero que a emergência do que se convencionou chamar de politicamente correto está relacionada à dinâmica da pós-modernidade. A pós-modernidade, em minha concepção ainda incipiente da mesma, admito, trouxe novas e importantes dimensões à questão de classe que se tornou clássica desde os ensinamentos do velho Marx. Agora não tratamos apenas da dicotomia entre o proletariado e a burguesia, entre o trabalho e o capital, entre o elemento revolucionário e o retrógrado. Tratamos hoje de questões mais complexas e que, sem dúvida, permitem que as pessoas estejam em lados opostos em um momento e sejam aliadas em outro. Estou lhes falando que a pós-modernidade incorporou na dinâmica de classe tradicional novos elementos como as questões de gênero, de sexualidade, de raça e de identidade de uma maneira geral. Sendo elementos principais da nova esquerda, a esquerda cultural, esses novos elementos passaram a interagir a se articular aos antigos padrões classistas. Óbvio está, e espero que compreendam, que essas novas pautas de lutas surgiram de grandes e importantes lutas dos movimentos sociais. Os movimentos sociais conseguiram incluir estas questões no cerne dos debates  e lutas atuais por maior representação política e social, bem como por direitos humanos. Esse novo momento social poderia ser caracterizado pelo termo "multiculturalismo".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;O multiculturalismo é um passo essencial no caminho da representatividade política e social de grupos antes excluídos, ignorados e discriminados, embora traga consequências nefastas para a construção de um objetivo único ou minimamente coeso para a superação dos desafios prementes de toda sociedade. Sendo a construção desse objetivo coletivo possível ou não, o multiculturalismo contribui para dificultá-lo ainda mais, uma vez que facilita o que Bauman chama de "Dividir para reinar". Desde muito tempo que os reis compreenderam que a melhor forma de governar é fazendo que seus adversários se dividam e é isso o que justamente acontece na sociedade pós-moderna. Não temos mais objetivos emancipatórios comuns e muito menos uma ideologia que consiga dar esperanças de um futuro melhor. Bem, mas não é esse o tema dessa postagem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Disse-lhes que o multiculturalismo teve e tem um papel importante na pós-modernidade na luta por direitos políticos e sociais. Um dos caminhos essenciais dos grupos que citei acima para a conquista de um lugar mais representativo no espaço social foi a auto-afirmação e a guerra contra o preconceito. Neste sentido, a batalha contra tudo o que soava como preconceito foi travada com muita força e energia, inclusive os termos politicamente incorretos e as piadas maledicentes. A vivência cotidiana e as interações são o palco da vida social e, se o preconceito não for eliminado dessa esfera da sociedade, é impossível que seja eliminado da estrutura social. Neste sentido, a guerra pública pelo politicamente correto é lógica e necessária.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Entretanto, quero lhes dizer que o exagero no politicamente correto faz da vida social uma chatice, uma mesmisse e uma homogeneização irritante do respeito. A pirraça deve continuar existindo na vida social! Ela faz parte do que aprendemos a compreender como "os imponderáveis da vida cotidiana". A vida já é repleta de regras sociais formais e informais. Chega de atribuir regras ao extremo, ao exagero. Admito e admiro a luta contra o preconceito, mas sou contra e totalmente contra à castração exagerada. Chegaremos ao ponto, ou já chegamos?, em que a forma da fala e os termos utilizados serão mais importantes que os atos. Vamos valorizar as atitudes e os atos políticos e não tanto a retórica, pois a retórica é o palco por excelência da hipocrisia. Já vi muitas vezes, as pessoas se importando mais com os termos com que as pessoas pronunciavam suas idéias, do que com o conteúdo das mesmas. Assim, poderíamos chegar num ponto em que um fascista seria mais politicamente correto, pelo menos nos seus discussos, do que o mais bravo e incansável militante gay ou feminista. Devemos ter cuidados com essas ilusões e procurarmos ser mais flexíveis, principalmente com as brincadeiras. O que temo, principalmente, é que sejamos obrigados a viver num mundo sem brincadeiras, sem as velhas "pirraças" e piadas, ou seja, um mundo em que a qualquer momento tenhamos que falar de coisas sérias e importantes e somente disso, pois como disse uma colega, "nenhuma piada é politicamente correta".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Pergunto-me, agora, todavia, onde será que está o equilíbrio entre a luta incansável contra o preconceito e a chatice de procurar ser e cobrar que os outros sejam politicamente corretos em todos os momentos de suas vidas? Só quero lhes dizer, a mais, que minhas piadas continuarão a ser politicamente incorretas, porque, senão, deixarão de ser piadas...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115957751330104161?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115957751330104161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115957751330104161&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115957751330104161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115957751330104161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/09/da-chatice-do-politicamente-correto.html' title='Da chatice do politicamente correto...'/><author><name>Rafael Arantes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12909663327175774884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115907122997609711</id><published>2006-09-24T01:12:00.000-03:00</published><updated>2006-09-24T01:30:44.020-03:00</updated><title type='text'>Certidões de Óbito e Nascimento</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Depois de inúmeras tentativas frustradas&lt;br /&gt;Descobre-se que a felicidade almejada na poesia&lt;br /&gt;Se encontra fora da poesia&lt;br /&gt;Na vida tão vida quanto a vida de todos&lt;br /&gt;Mas esse aprendizado doloroso não desmerece a luta e o sonho&lt;br /&gt;Ao contrário, dá-lhes uma aura de “tentei”&lt;br /&gt;Ou ainda: “fui bravo”&lt;br /&gt;E isto esconde a derrota&lt;br /&gt;Que todos os outros nunca perceberão&lt;br /&gt;Pois nem sabem que houve lutas e sonhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então percebe-se que a vida não se encontra em sistemas apriorísticos completos&lt;br /&gt;Que supostamente substituiriam sistemas falidos&lt;br /&gt;Então percebe-se que uma coisa é ter consciência do Mal&lt;br /&gt;Outra é acreditar no Bem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a Felicidade espera, paciente, no cotidiano&lt;br /&gt;O consumismo e o espetáculo são partes inexoráveis do presente em que se vive&lt;br /&gt;“Não se pode fazer uma fritada sem quebrar os ovos”&lt;br /&gt;E lá vai a Felicidade com nariz de palhaço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Input&lt;br /&gt;Output&lt;br /&gt;Input once again&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atirei o pau no gato mas o gato não morreu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá vai a Vida&lt;br /&gt;“Pega!”, grita a garotada na rua de baixo&lt;br /&gt;E toda a classe trabalhadora deixa-a passar por entre as pernas&lt;br /&gt;É hora do jogo e a cerveja gelada alegra o dia&lt;br /&gt;Enquanto as mulheres conversam sobre os destinos da novela das oito&lt;br /&gt;Os garotos conseguiram, enfim, capturar a Vida&lt;br /&gt;Agora ela está presa em um saco de alinhagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marx não revolucionou o mundo&lt;br /&gt;Nietzsche não tornou-se além do homem&lt;br /&gt;Sartre não foi mais livre que Spártacus&lt;br /&gt;Debord era parte do espetáculo&lt;br /&gt;Mas dona Catarina, moradora do Sertão e devota de Nossa Senhora, viveu feliz&lt;br /&gt;Em sua condição de penúria material&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coronel XXXXXX (não me cabe citar nomes) morreu triste em sua mansão&lt;br /&gt;Construída com o suor dos negros - escravos libertos&lt;br /&gt;Mais escravos do que antes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá vai a Felicidade&lt;br /&gt;“Pega!”, grita Lady XXXX&lt;br /&gt;Ela, que já deu pra tantos, nunca gozou para si própria&lt;br /&gt;A Felicidade fugiu, mas ela conseguiu arrancar-lhe uns chumaços de cabelo&lt;br /&gt;Em momentos forçados de gozo mercantil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outsiders input&lt;br /&gt;Liquidação de domingo&lt;br /&gt;Filme de arte no cinema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é feliz levante a mão&lt;br /&gt;E o maneta se esforça em sinalizar balançando freneticamente os braços de um lado para outro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luta de classes&lt;br /&gt;Duas turmas do colégio de elite desentenderam-se a respeito das regras da gincana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os trabalhadores vão à missa&lt;br /&gt;E o papa arqueja palavras de sabedoria milenar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade (em seus padrões fordistas)&lt;br /&gt;Foi mais rápida que o pensamento dos poetas&lt;br /&gt;E produziu verdades padronizadas em série&lt;br /&gt;Mas amanhã já é domingo de novo&lt;br /&gt;Fique tranqüila, filhinha, que eu te levo no shopping&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sex&lt;br /&gt;Sex&lt;br /&gt;Sex&lt;br /&gt;In, out, in, out&lt;br /&gt;Forever&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem coisas que o dinheiro não compra&lt;br /&gt;Para todas as outras existem Cards&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filhinha, já é noite, ore pra papai do céu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu observo tudo&lt;br /&gt;Eu estudo tudo&lt;br /&gt;Eu vivo tudo&lt;br /&gt;Eu tudo tudo&lt;br /&gt;Mas não entendo nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim vou eu&lt;br /&gt;E a minha vida também vai junto&lt;br /&gt;Nós dois felizes&lt;br /&gt;Sempre com narizes de palhaços&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eta, como dona Catarina é feliz!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115907122997609711?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115907122997609711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115907122997609711&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115907122997609711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115907122997609711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/09/certides-de-bito-e-nascimento.html' title='Certidões de Óbito e Nascimento'/><author><name>Felippe Ramos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115889259867412535</id><published>2006-09-21T23:35:00.000-03:00</published><updated>2006-09-22T16:05:15.716-03:00</updated><title type='text'>Quando é melhor calar-se</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É difícil falar de algo quando não se tem nada a falar. No entanto há que se falar. Vivemos em um tempo em que falar, seja o que for, é imperativo. O silêncio incomoda. O silêncio não entretém. O silêncio é instante que alimenta a introspecção; que nos causa vergonha de olhar o outro e, por isso, nos faz olhar a nós mesmos. Mas o que temos para ver em nós mesmos? Verdade que nos identificamos enquanto eu a partir da visão do não-eu, ou seja, do outro. Mas é no momento de introspecção que esse eu formado em relação se identifica a si mesmo. Mas esse momento de introspecção nos é hoje doloroso. Quando estamos a sós no mais absoluto silêncio tratamos logo de ligar a televisão ou o aparelho de som em vista de abafarmos a nossa “essência” que poderia aflorar a qualquer momento. Inventamos algum barulho para nos levar para longe de nosso ser inconsciente. Passamos, dessa forma, a conformarmos nossas identidades a partir do que fazemos: daquilo que somos especialistas no mundo do trabalho; daquilo que ouvimos ou dos gêneros de filmes que assistimos; daquilo de que preferimos nos alimentar; daqueles com os quais preferimos manter relações sexuais etc. No entanto, nossa maior riqueza não está naquilo que fazemos, mas naquilo que sonhamos, mas que os constrangimentos naturais da vida em sociedade não nos permitem realizar na íntegra e que são agravados por um modo de vida social que nos faz sentirmos envergonhados de estarmos a sós consigo mesmos. Os momentos de absoluto silêncio e de solidão mortal já não são mais encarados como momento de apreender a si mesmo em seu íntimo, como na era pré-tv, ou melhor, na época em que a ênfase social se dava mais na produção do que no consumo. Na época do consumismo do entretenimento, o silêncio é abafado por um produto qualquer. Daí que o silêncio não seja mais tolerado nas relações sociais e que cause mal-estar quando as pessoas estão interagindo. Perdemos a capacidade contemplativa. Nos tornamos seres ávidos por consumir uma palhaçada qualquer, contanto que ela nos entretenha, nos tome o nosso tempo livre, nos livre do pesadelo de nossa própria liberdade. E, no entanto, valorizamos a nossa liberdade de poder sintonizar a Piatã FM ou a Itaparica FM. Eu, do meu lado, vou me calando por aqui...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115889259867412535?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115889259867412535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115889259867412535&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115889259867412535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115889259867412535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/09/quando-melhor-calar-se.html' title='Quando é melhor calar-se'/><author><name>Felippe Ramos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115888499384944980</id><published>2006-09-21T21:06:00.000-03:00</published><updated>2006-09-21T21:29:53.856-03:00</updated><title type='text'>Quando um abraço vale muito mais que um beijo!</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Hoje sinto, com muito mais vigor, intensidade e prazer,&lt;br /&gt;o sentimento delicioso de um abraço forte e cálido!&lt;br /&gt;Sinto pulsar, sinto bater, sinto sofrer,&lt;br /&gt;toda a dor de não poder voltar&lt;br /&gt;àquele abraço terno, límpido, íntimo, contudo, fugaz.&lt;br /&gt;Por que não volta, abraço meu, que nunca foi meu,&lt;br /&gt;mas instantaneamente todo meu?&lt;br /&gt;Meu em lembranças, em saudades,&lt;br /&gt;em querer e principalmente em sofrer!&lt;br /&gt;Trocaria, indubitavelmente, todos os beijos&lt;br /&gt;que hei de ter dado em minha vida por ti, abraço meu!&lt;br /&gt;Abraço meu, que nunca foi meu,&lt;br /&gt;mas instantaneamente todo meu, em sentir,&lt;br /&gt;e eternamente meu, em lembrar!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115888499384944980?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115888499384944980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115888499384944980&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115888499384944980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115888499384944980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/09/quando-um-abrao-vale-muito-mais-que-um.html' title='Quando um abraço vale muito mais que um beijo!'/><author><name>Rafael Arantes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12909663327175774884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115880849375743030</id><published>2006-09-20T23:38:00.000-03:00</published><updated>2006-09-21T00:14:54.673-03:00</updated><title type='text'>A inexistência da "Universidade"....</title><content type='html'>Caros amigos, os dias têm voado. Durmo no domingo e acordo no sábado. Tenho a impressão ( não tão ligeira) de que o tempo tem passado mais depressa ultimamente... Enfim, essa lamentação toda nada mais é que uma explicação deveras pueril para o atraso desse post. Relaterei aos senhores uma situação que me ocorreu na última quinta-feira. Lá se foi uma semana inteira...&lt;br /&gt;Também devo alertar que a profundidade e a polêmica que esse post pretende gerar não mantém o ritmo dos ótimos posts anteriores. Mas nem por isso me incomoda menos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fato. Vinha eu da uma excelente aula sobre Psicologia da Educação ( aqui cabe um parêntese. Apenas para assinalar que, desta vez, o "excelente" NÂO é ironia. A aula tinha sido realmente boa, porque a discussão fora relativamente profunda, envolvendo Piaget e Gestalt...). Vinha eu sem grandes pretensões de ver coisas boas naquele restaurante de ADM. Grande foi a surpresa ao notar que ali, naquele ambiente que me parecia dolorosamente familiar, algo novo surgiu: um violão, um cavaquinho, um pandeiro e uma flauta, junto com seus competentes "operadores". Um respeitável grupo de chorinho, ali, na pátio de ADM! Sim, também me pareceu surreal.. Mas era verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante como a música ( essencialmente a música instrumental, no meu caso) tem o poder de nos fazer viajar. Aquela quinta-feira era mais um dos meus dias reduzidos, estranhamente reduzidos, de forma que eu tinha mais tarefas que horas disponíveis. Mas dali, não consegui sair. O chorinho é um dos meus estilos preferidos, e por isso ali fiquei a pensar nas coisas belas da vida,naquele verde que as plantas exibiam ao serem atingidas pela intensa luz solar, que pintava o dia como um belo quadro de uma tarde de fevereiro, numa casa à beira-mar... Durante alguns minuto-reduzidos( não achei expressão melhor para essa nova unidade de tempo), não movi um só músculo. Esse tempo em contato com a arte me trouxe um ânimo extra, de forma que me senti revigorado para encarar mais quatro horas de aula de didática...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Aqui acaba a parte bonitinha da história. Caminhei para a sala sentindo algum incômodo, mas não consegui identificá-lo. Suportei quase duas horas de aula, ainda sem entender o que me incomodava de fato. Apenas quando um colega exclamou sua insatisfação com o comportamento dos alunos da UFBA frente à mais evidente exibição artística (isso, aliás, foi a melhor coisa que ouvi em toda a aula de didática...)pude perceber o quanto era ofensivo o comportamento das pessoas que circulavam pelo pátio, durante a exibição do famigerado grupo de chorinho. Eu de fato havia notado, também, esse comportamento esdrúxulo. Contudo, tinha eu me voltando tão intensamente para dentro de mim mesmo, que não me atentei ao meu redor. Muitas vezes faço isso, o que me faz pensar que de vez em quando eu consigo pular aquele muro.Mas isso é uma outra história...&lt;br /&gt;É deprimente que alunos universitários, reajam assim à arte. refletindo sobre o acontecido, cheguei à pergunta-chave: A culpa é de quem? A explicação de que aquela é a resposta típica do estudante de ADM, me parece rasteira. Afinal, nesse nosso modelo de "universidade", para quê estamos sendo preparados? No momento em que pensamos na mercatilização do diploma, com a explosão de faculdades pagas, gritando para o mundo que universidade não é apenas produção de diplomados, o que estamos fazendo para que a&lt;strong&gt; nossa&lt;/strong&gt; universidade não se torne exatamente o que tanto criticamos? Ou melhor, será que nossa universidade já não é, de fato, muito mais parecida do que diferente desse modelo tão desprezível? Minhas conclusões não acabam aqui, mas como o post já ultrapassa os limites do bom senso em relação ao tamanho, sugiro que o debate corra para a sessão dos comentários... e vocês, o que acham??&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115880849375743030?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115880849375743030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115880849375743030&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115880849375743030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115880849375743030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/09/inexistncia-da-universidade.html' title='A inexistência da &quot;Universidade&quot;....'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115852872193165507</id><published>2006-09-17T18:29:00.000-03:00</published><updated>2006-09-17T18:32:01.933-03:00</updated><title type='text'>Tirem suas próprias conclusões...</title><content type='html'>“Homem de preto, qual é sua missão? Entrar pela favela e deixar corpo no chão. Homem de preto, o que é que você faz? Eu faço coisas que assusta (sic) o satanás...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistam: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=FleRMcnTfMk"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=FleRMcnTfMk&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sugiro que assistam esse aqui também, mas ele só pode ser assistido por quem é cadastrado no YouTube porque tem cenas "fortes". Recomendo, é o melhor! Prestem atenção às duas senhoras no meio do tiroteio.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=IWM4ei2yNA8"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=IWM4ei2yNA8&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115852872193165507?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115852872193165507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115852872193165507&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115852872193165507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115852872193165507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/09/tirem-suas-prprias-conclus_115852872193165507.html' title='Tirem suas próprias conclusões...'/><author><name>Rafael Arantes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12909663327175774884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115851351996244389</id><published>2006-09-17T13:21:00.000-03:00</published><updated>2006-09-17T14:18:40.253-03:00</updated><title type='text'>Sobre violência... e drogas...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Em minha experiência de trabalho de campo em uma rua (demarcada muito bem pelos moradores) atrás de uma área de tráfico de drogas muito conhecida, deparei-me com algumas questões interessantes. A vida lá, realmente, não é tão violenta quanto esperava ou como vemos nos noticiários televisivos e de jornais. A vida, como em qualquer outro bairro, segue seu rumo. As pessoas saem e chegam de madrugada e nada lhes acontece, divertem-se nos bares, conversam em frente as suas casas e deixam, durante o dia, a porta de suas casas abertas. Não é interessante? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Entretanto, constatei a partir das entrevistas, como o fato de haver um pico de tráfico de drogas próximo à área delimita as relações de sociabilidade dentro do bairro. Essa característica muda completamente a vida cotidiana das pessoas. Lembro-me bem quando perguntei a uma senhora se o bairro era violento. Ela me respondeu que para os "trabalhadores" não, pois os "vagabundos" os conheciam e respeitavam. Entretanto, ela deixou claro como o tráfico e as consequências imediatas do mesmo moldam as suas vidas. Ela disse que a vida lá é um perigo constante, pois eles sempre estão no meio da linha de tiro. Essa linha de tiro pode ser um conflito dos traficantes com a polícia ou um conflito entre gangues rivais, o que não é tão difícil de acontecer. Além disso, vemos que a presença da polícia no bairro, ao invés de fazer as pessoas sentir-se protegidas, faz com que elas sintam-se mais tensas, pois o tratamento do policial para com os moradores de uma área popular e ainda por cima próximo a um pico de tráfico é baseado no estigma e no pré-julgamento. É claro que esse comportamento não é consequência absoluta do tráfico de drogas e remete-se ao grande poder discricionário que os agentes da lei têm e isso nos remete a um problema estrutural da instituição policial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;A primeira conclusão desse post é a seguinte: embora a violência não reine nos bairros populares como se eles vivessem no estado de natureza hobbesiano, o tráfico interfere, e muito, nas suas relações de sociabilidade, fazendo com que, inclusive, a rua em que eu esteja trabalhando tenha tanto cuidado em se afirmar com um nome diferente da área do tráfico e chame uma outra rua que liga essas duas áreas de fronteira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Quero voltar o objeto dessa postagem para a questão do tráfico em si. Como qualquer relação comercial, imbuída de uma organização racional, o tráfico está regido pelas leis de mercado mais puras, uma vez que não tem condições de ser regulamentado pelo Estado. É óbvio, entretanto, que sempre há uma regulamentação do Estado, seja pelo grande poder discricionário dos policiais que apoiam o tráfico, ou pelas propinas da polícia federal ou pela incapacidade do Estado de controlar suas fronteiras. Tomando o conceito de política pública como aquilo que o Estado faz ou deixa de fazer na realidade social, o tráfico poderia ser considerado uma política pública do Estado brasileiro. Mas isso é uma outra questão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Mas, de uma maneira geral, o tráfico segue linearmente as leis do mercado. Quando há mais bocas, o preço diminui e aí advém dos conflitos entre as gangues. Quando há mais compradores, a droga provavelmente aumenta de preço e assim por diante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;O que quero dizer é, em que medida os usuários não financiam o tráfico? Para mim está claro que quem financia o tráfico são os usuários e eles podem ser de todos os tipos, negros, brancos, homens, mulheres, ricos, pobres, classe média, socialmente conformados, politicamente orientados etc. Não quero com isso dizer para as pessoas que parem de usar drogas para que o tráfico acabe, por um simples fato. As pessoas nunca deixarão de usar drogas e o tráfico também nunca deixará de existir. Acho apenas extremamente leviano ou romântico, para não dizer hipócrita, que as pessoas continuem usando drogas sem achar que contribuem para o tráfico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Segunda conclusão: É hiprocrisia dizer que usa drogas, mas que não financia o tráfico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Os usuários, principalmente de maconha, reclamam que têm de recorrer ao tráfico se quiserem fumar porque não podem plantar em casa e, além do mais, comprar é mais fácil, pois você pode ter a droga na hora em que quiser, mas plantar, tem que esperar toda uma série de detalhes para pode fumar. Isso, para mim, é mais uma atitude de fuga, porque se você não corre o risco de plantar, porque é proibido e você pode ser preso, você repassa esse risco para alguém. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Terceira conclusão: Para que você use sua droga e fique muito doido, outras pessoas estão correndo o risco de serem presos e outros riscos mais no seu lugar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Essa postagem, companheiros, não tem um cunho moralista, não é isso. Mas tem um cunho de compreender o funcionamento verdadeiro, cotidiano, da base da nossa sociedade. Todas as nossas atitudes, embora sempre haja instâncias extremamente coercitivas de poder, geram consequências para a realidade social, construindo, cotidianamente e interacionalmente, uma nova estrutura social.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Nesse momento, eu retorno à questão da sociabilidade esboçada no início. O uso de drogas gera uma série de consequência para as comunidades onde os traficantes decidiram se instalar. É claro que para a microestrutura desse bairro, o tráfico não traz apenas consequências negativas, no sentido normativo do termo, mas também consequências positivas. O tráfico pode trazer uma série de melhorias para o bairro que o Estado não conseguiria fazer. Ele pode trazer renda para famílias que passam fome e, assim, contribuir para uma relativa melhoria das condições de vida de um bairro. Mas, ele traz também uma série de consequências negativas para o mesmo, desde o medo recorrente, até uma segmentação interna que manipula as relações de sociabilidade local e um estigma da sociedade ampla para com os moradores da área.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Em um exercício de imaginação sociológica, poderíamos fazer conjecturas sobre a extirpação do tráfico de drogas da realidade social brasileira (não quero entrar na questão da legalização, pelo menos aqui), e aí vocês me perguntariam: Trouxe mais consequências positivas ou negativas para a microestrutura local e para a sociedade ampla? Eu, sinceramente, não saberia responder... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Por fim, vocês poderiam me fazer mais duas perguntas: É por isso que você não usa drogas ilegais? Não... E, se você fosse usuário de alguma destas drogas, deixaria de usar por causa deste raciocínio? A resposta também é não...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115851351996244389?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115851351996244389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115851351996244389&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115851351996244389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115851351996244389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/09/sobre-violncia-e-drogas.html' title='Sobre violência... e drogas...'/><author><name>Rafael Arantes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12909663327175774884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115850534064310404</id><published>2006-09-17T11:59:00.000-03:00</published><updated>2006-09-17T12:02:20.656-03:00</updated><title type='text'>Considerações de um ser desvairado a respeito do amor</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;A cada dia convenço-me de que somos aquilo que não somos. Convenço-me de que aquilo que não fazemos conta muito mais do que aquilo que fazemos. De fato, &lt;i style=""&gt;não fazemos&lt;/i&gt; muito mais do que &lt;i style=""&gt;fazemos&lt;/i&gt;. Nossos sonhos e desejos-pulsão transbordam por sobre a vida opaca. E apesar da miséria da minha existência objetiva, se vissem os meus sonhos e desejos como vêem a materialidade das minhas carnes diriam suspirando: eis um grande homem. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;Talvez vossas senhorias encarem esta argumentação como uma fuga, uma auto-justificativa ou mesmo um “muro” artificialmente criado para que eu possa me orgulhar: se não fosse o muro... Na verdade eu concordo com vocês quando pensam assim. Mas o fato não invalida o argumento e, dentre os dois, eu fico com o segundo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;Eu fico pensando o quanto de felicidade eu já desperdicei devido àquilo que eu não fiz. E o outro tanto de felicidade que eu deixei escapar das mãos pensas por não acreditar que a felicidade existisse. Ah, senhores e senhoras, no entanto,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;tudo o que eu não fiz eu fiz em pensamento. E como é tudo tão belo e ordenado lá. A garota que amo e que, contudo, nunca soube desta minha infelicidade, pois nunca sequer demonstrei um mínimo de afeto e chego propositadamente a demonstrar o contrário, em meus pensamentos, em contraposição, vivemos um amor recíproco, profundo e ardente. Quantos belos discursos apaixonados eu dirijo a ela em meu mundo imaginário... E como ela se deleita com minhas doces palavras... Temos vivido dias perfeitos e o peso do mundo me é leve. No entanto, basta ela se aproximar em carne para eu me sentir mal e pesado como se uma bigorna me estivesse dependurada no pescoço. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;Pois é, senhores e senhoras. Esse &lt;i style=""&gt;post&lt;/i&gt; é, no final das contas, sobre o amor. E comecei tecendo comentários acerca da existência não-existente por considerar este ser o verdadeiro terreno do amor. Não que ele não tenha a sua existência material, física e tangível. O contato é condição fundamental do amor e o gozo é seu ápice. Mas é no terreno da imaginação mútua que o amor encontra sua possibilidade de empatia. E no terreno da imaginação unilateral do amante solitário que o amor encontra sua expiação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;Oh, como me sinto culpado por amar demais. Queria eu odiar!, mas não me é permitido escolher meus sentimentos. Ah, se ela soubesse que a amo, que faria? Cuspiria em minha cara ou entrelaçaria seus braços aos meus em um gesto sublime de fusão mítica? Não, senhores e senhoras. É-me doloroso demais pensar que a primeira hipótese é a mais factível. Diante da visão do sofrimento mais absoluto me acometendo, recuo e nada faço. No entanto, a segunda hipótese se realiza sublime em meus pensamentos correntes sobre ela. Recuo perante a realidade. A felicidade me acaricia em sonho. E diante da não-ação a felicidade mais uma vez me escapa, enquanto continuo a não acreditar em sua existência. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115850534064310404?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115850534064310404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115850534064310404&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115850534064310404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115850534064310404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/09/consideraes-de-um-ser-desvairado.html' title='Considerações de um ser desvairado a respeito do amor'/><author><name>Felippe Ramos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115809941689689399</id><published>2006-09-12T19:05:00.000-03:00</published><updated>2006-09-12T19:20:29.990-03:00</updated><title type='text'>Sobre drogas, manadas, ratos, tuberculose, romantismo e irracionalismo. Na verdade, o título é uma mentira!</title><content type='html'>&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Caríssimos, já que estamos no clima, me permitam compartilhar um pequeno texto que escrevi há algum tempo atraz, quando era um pouco mais jovem...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;"Estou no meio do abismo, onde o vazio se propaga e os ecos do infinito se espalham de um canto a outro. É aqui, onde o tudo é o nada e o nada é um caminho sem fim, que eu me acho e me desencontro de mim mesmo. Sinto-me triste, sinto-me solitário, a minha vida não tem mais sentido. Estou cansado de viver essa existência burocrática cheia de leis e regras sociais. O universo do meu eu pede mais. Ele clama por liberdade, por cultura, por música, por filosofia e por amor. Estou cansado de ser a única estrela do meu universo mórbido. Preciso de uma outra estrela para ocupar o espaço do inferno secular que me queima, aqui, bem no fundo do meu clarão desesperançoso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Estou a procura de um amor. Quero que seja como o sol e ilumine o meu intelecto sombrio. Quero que seja como a lua e me desperte um desejo caprichoso. Quero que seja como as estrelas e me guie para dentro de mim com confiança. Eu tenho medo. Estou ansioso. A confusão. O martírio. Estou dormindo. Meus olhos estão abertos. Mergulho de novo e a maré me carrega. As ondas me doem e as pedras me perfuram os pés. Eu não sou capaz. Eu sou um nada. A dor me persegue. As pessoas me olham diferente. Minha mãe tem pena de mim e o meu pai, vergonha. O túnel. Está girando. Estou com náuseas. Vou vomitar. O passado. As lembranças. As cobranças. Estou bêbado. As alucinações me rasgam ao meio. Os duendes me irritam. As fadas me consolam. Os elefantes me pisoteiam e me esmagam. Estou sóbrio. As alucinações continuam..."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115809941689689399?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115809941689689399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115809941689689399&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115809941689689399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115809941689689399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/09/sobre-drogas-manadas-ratos-tuberculose.html' title='Sobre drogas, manadas, ratos, tuberculose, romantismo e irracionalismo. Na verdade, o título é uma mentira!'/><author><name>Rafael Arantes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12909663327175774884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115807053988765492</id><published>2006-09-12T11:14:00.000-03:00</published><updated>2006-09-12T11:18:29.473-03:00</updated><title type='text'>A Era do Gelo e a era do aquecimento global</title><content type='html'>Pode parecer estranho, mas A Era do Gelo II é o melhor filme dentre os que assisti nessas ultimas semanas. Não pela história em si. Não pelo esquilozinho, coitado, que sofre horrores pra salvar sua comida. Mas sim pelo interessante conceito de personalidade que o filme ( intencionalmente ou não) traz.Não quero tirar a graça da surpresa daqueles que ainda pretendem ver a animação. Basta dizer que, na história, uma Mamute tem a convicção, a plena convicção, de que é um gambá. Obvio que se trata de um detalhe que retoca o humor de historinha infantil, mas não é só isso. Não passa de um detalhe para quem não procura pêlo em ovo ou agulha no palheiro, como esse que vos fala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, é um universo em que os animais raciocinam, dialogam, e refletem sobre sua condição de existência, e os amigos devem saber que no nosso "mundo real" apenas um animal carrega esse fardo: nós, esses bichos esquisitos, sem pêlos e garras, que não têm nenhum outro dom mais útil que o seu cérebro enorme. Animais que são psicologicamente humanos, possuem necessidades psiquícas humanas, é claro. Posso afirmar, com toda a certeza que uma pessoa pode ter, que Mamutes não alimentavam quaisquer dúvidas a respeito de sua "mamutilidade", como nenhum cachorro duvida que é cachorro. É muito mais fácil pra eles, porque seu pool genético responde todas essas questões supérfulas possibilitando sua concentração na sobrevivência, pura e simples. A preocupação do nosso mamute confuso nada mais é que um reflexo do carater humano que as animações em geral tem que dar aos aminais e outros seres.Nós, humanos, &lt;strong&gt;necessitamos&lt;/strong&gt; responder, de imediato, algumas questões: o que estamos fazendo aqui? para onde vamos depois daqui? o que é certo fazer por aqui? e ainda, quem sou eu, o qual o meu papel aqui? Essa é a questão que o mamute responde no filme de um jeito, digamos, peculiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas respostas foram sempre dadas ao longo da história, em cada tempo e em cada sociedade, de formas singulares. Hoje em dia, o conceito de "eu" está desenvolvido no seu máximo. Somos talvez a primeira sociedade na historia desse planeta que consegue defender a idéia ( pelo menos ideologicamente) de que cada individuo é único, tem valores e qualidades idiossincráticas, e, portanto, deve ser livre de amarras e limitações. "seja autêntico", " faça seu estilo", são coisas que se ouve frequentemente hoje em dia, talvez mais até que "bom dia" ou "obrigado". Trazem uma ideia de personalidade tão individualizada quanto possível, e isso acaba tendo duas consequências "vantajosas": milhões e milhões de "estilos próprios" para o mercado de roupas, musicas, livros etc, preencherem; Uma despolitização e falta de percepção de um mundo social, da articulação dos interesses, que trava qualquer tipo de ação "subversiva", organizada e em massa, contra os absurdos do mundo capitalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Para apoiar tão concepção, o desenvolvimento de "explicações" genéticas para as ações, estilos e prefências individuais servem como referência científica. É interessante como tudo isso, todas essas respostas, que são socialmente construidas e individualmente compreendidas, ganham um ar de naturalidade, quando o são, de fato, escolhas arbitrárias de um animal que precisa simbolizar para conseguir viver. A medida dessa arbitrariedade torna-se visível quando constata-se que essa liberdade ou singularidade do individuo é uma grande mentira. Estamos todos sujeitos as leis e normas sociais e, em certa medida, somos muito mais parecidos que diferentes. Apenas queremos acreditar que somos únicos, "eu mesmo", assim como o mamute quis crer que era um gambá. Enxergar que tal processo é arbitrariamente humano, é o primeiro passo para diminuir sua fatalidade e interferir nessa inércia que se tornou a sociedade ocidental. É o primeiro passo para entendermos que essa forma de significar a realidade ( não discuto se ela é boa ou ruim. Não é ela quem precisa mudar, e sim as consenquências que ela traz)não pode estar pautada numa áurea de naturalidade que nos impessa de agir de forma mais socialmente articulada.&lt;br /&gt;Agora eu pergunto, caro leitor, você está pronto para rever esses conceitos? não, claro que não. Ninguém está, nem mesmo eu, que escrevo essas bobagens. É por isso que esse mundo não tem mais jeito... Você acha que tem??&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115807053988765492?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115807053988765492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115807053988765492&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115807053988765492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115807053988765492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/09/era-do-gelo-e-era-do-aquecimento.html' title='A Era do Gelo e a era do aquecimento global'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115798929281131514</id><published>2006-09-11T12:40:00.000-03:00</published><updated>2006-09-11T13:18:11.363-03:00</updated><title type='text'>Breve conto sob influência de Dostoiévski</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um dia qualquer. Ele, que não lembra de seus sonhos em sono, acorda com todos os sonhos do mundo, como diz o Pessoa. Sente-se malditamente bem ao pôr os pés no chão, após alguns momentos silentes sentado na cama, com os cabelos desgrenhados e os olhos semi-cerrados. Pensava no que faria durante o dia, pois tinha a mania de planejar as suas ações cotidianas (aquelas que ele faria mesmo sem planejar, como um autômato que talvez fosse). Enumerava mentalmente: urinar; lavar o rosto; estralar os dedos; tomar café; sentar no sofá; ligar a tv etc. Valorizava demais as ações mais banais da vida diária e chegou a formular um sistema filosófico inconsciente para justificar seu fracasso sempre que pensava em fazer algo que desviasse do rumo da banalidade e do vazio. Como no dia em que planejou convidar uma garota para sair. Já vinha reparando nela há algum tempo e lhe chamava a atenção a inteligência aliada à beleza. Mas nunca soube como abordar uma garota: tomado por um romantismo anacrônico nunca foi capaz de entender como os rapazes de sua idade abordavam garotas de forma tão direta, descompromissada e, pior de tudo, vulgar e, ainda assim, alcançavam seu objetivo. Sua abordagem honrosa sempre lhe rendeu terríveis e dolorosos fracassos. Enquanto conversava com uma garota sobre as coisas belas da vida, um terceiro pedia o telefone e dizia sem rodeios que a telefonaria à noite para saírem juntos. A garota, após este intervalo de esquecimento dele, voltava-se para ele com um olhar compreensivo, como quem caritativamente escuta o que tem a falar, mas não consegue esconder o anseio de retirar-se dali. Mas insistia na tática, pensando consigo mesmo que um dia encontraria a garota que cairia a seus pés devido a sua forma de abordá-la. E esta, pensava, será a verdadeira merecedora de toda a minha paixão. Julgava que desta vez não haveria erro. A garota em questão seria conquistada. Acordou com esse intuito e levaria tudo às últimas conseqüências. Passou o dia a pensar em cada frase, em cada palavra, em cada gesto a dirigir a ela. À noite, no último dia de aula, sentou-se ao lado dela. Conversaram bastante sobre diversos assuntos sobre os quais a manada nunca compreenderia. E, de fato, rostos perturbados e perplexos encaravam os dois a conversar, como a questionar como duas pessoas poderiam passar a aula inteira sem prestar a mínima atenção ao professor e, ainda por cima, para conversar sobre assuntos como aqueles. Mas nada atrapalhava a fluência do colóquio. A empatia era total. Era chegada a hora decisiva, o momento pelo qual esperou ansiosamente, o instante de pôr em prática aquilo que havia minuciosamente treinado. Mas um calafrio o perpassou subitamente. Pensou ter encontrado a garota dos sonhos e temeu jogar tudo por água abaixo em uma cartada arriscada e, quem sabe, precipitada. Resignou-se e, por um momento, o silêncio pairou sobre os dois. Ela puxou algum assunto. Ele, atordoado, pediu para que ela repetisse, pois não fora capaz sequer de escutá-la. A conversa voltou a fluir por uns instantes. Alguns minutos e ambos se despediram, cada qual tomando uma direção. Hoje se vêem esporadicamente e se tratam de maneira fria. Mas naquela noite ela não conseguiu dormir antes da alta madrugada, pois seu pensamento estava fixo no rapaz doce e poético que, no entanto, não tinha interesse nela. Lamentou-se pelo seu azar e convenceu-se de que seu destino era arranjar-se com algum rapaz da manada, grosseiro e maquinal. Ele, por sua vez, pensou ter feito a coisa certa ao nada fazer, pois havia se convencido de que seu destino era a solidão e que seu sistema filosófico inconsciente estava correto: tudo o que se distancia da banalidade e do vazio estão irremediavelmente fadados ao fracasso.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115798929281131514?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115798929281131514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115798929281131514&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115798929281131514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115798929281131514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/09/breve-conto-sob-influncia-de.html' title='Breve conto sob influência de Dostoiévski'/><author><name>Felippe Ramos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115798345206253442</id><published>2006-09-11T11:03:00.000-03:00</published><updated>2006-09-11T11:04:12.076-03:00</updated><title type='text'>Ser ou não ser (e outras questões)</title><content type='html'>Para os que não sabem, recentemente eu estive fazendo experiências sobre as possíveis combinações entre o meu corpo e algumas substâncias psicoativas, com as quais alcancei resultados bastante interessantes. E para quem também não sabe, eu nunca gostei de fumar maconha por um motivo muito simples: sofria da famosa bad trip. Essa bad trip sempre foi justificada por vários colegas usuários como sendo resultado de uma predisposição moral, de um ataque de culpa baseado no “diga não às drogas (ilícitas)” e “as drogas (ilícitas) são do mal” entranhados no meu imaginário. No entanto, ontem estava lendo um artigo médico sobre os efeitos de diversas substâncias componentes da maconha e imensa foi a minha alegria ao descobrir que essa bad trip pode sim ser explicada por uma predisposição fisiológica, e não moral. Logo, eu não sou uma pessoa hipócrita que professa uma coisa mas que lá no fundo pensa e sente algo muito diferente. Pelo menos era nisso que eu gostaria de acreditar.&lt;br /&gt;Durante as minhas recentes experiências, sob o efeito dessa bad trip, fui até um posto médico, no intuito de que algum profissional da saúde me convecesse que eu não iria morrer. Á essa altura, a coisa estava tão feia que eu já tinha me decidido a nunca mais beber nem cerveja. A referida profissional da saúde olhou para minha cara e me perguntou: “você bebeu todas, né?”. Eu, que já a via em outra dimensão, respondi: “não, moça. Fiz muito pior.” “Ah, você usou drogas, né?” “Foi, moça, mas eu estou muito arrependida”. Segue-se um discurso sobre Jesus, eu concordando SINCERAMENTE com tudo o que ela dizia, e ao mesmo tempo pensando: Ai, meu Deus (citando Deus em um pensamento pró-ateísmo), Murilo vai se acabar de rir da minha cara por causa dessa conversa quando eu estiver sóbria de novo.&lt;br /&gt;Um amigo meu me disse há um tempo que sente falta da sensação de arrebatamento que ele tinha quando acreditava em Deus. Ele de fato sente falta de acreditar em alguma coisa, e eu até acho que no fundo ele ainda acredita, mas temos de ser libertinos e libertários para podermos nos admirar, e ainda não encontramos uma maneira de fazê-lo acreditando em Jesus e dizendo não às drogas. Esse ser algo, ser uma parte tão óbvia do mundo em que vivemos nos é bastante insuportável, porque não queremos ser iguais à massa. Queremos ser extraordinários, queremos ser póstumos, queremos acreditar que nossa consciência é aguda, que sabemos algo que as outras pessoas não sabem. Não queremos ser tantas coisas, mas queremos sim ser tantas outras, e como não sabemos dessas tantas outras (ainda), nos constituimos pelo o que não somos. Mas ainda assim, somos. E teremos de viver com essa desilusão cult: somos sim, e não há como não ser. E não creio mesmo que possamos escolher o que ser ou não ser, pois por mim Deus estaria morto, mas eu ainda penso em Deus mesmo quando quero negá-lo. Agora “a essência do ser é o não ser” faz sentido para mim, o que pode indicar que eu não perdi os neurônios que vou usar para fazer o mestrado durante minhas experiência do feriado. O “ser ou não ser, eis a questão” também, mas eu não acho que essa questão exista de fato. Por mais que queiramos ser extraordinários, estamos ainda muito aquém dessa questão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115798345206253442?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115798345206253442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115798345206253442&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115798345206253442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115798345206253442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/09/ser-ou-no-ser-e-outras-questes.html' title='Ser ou não ser (e outras questões)'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115731205537875431</id><published>2006-09-03T16:31:00.000-03:00</published><updated>2006-09-03T16:34:15.390-03:00</updated><title type='text'>Dos cotidianos distintos</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É interessante perceber como as pessoas vivem no cotidiano. Sim, porque eu não vivo como elas vivem, então acabo aprendendo bastante através da observação não-participante. Hoje, por exemplo, é domingo (16:15h). É possível escutar alguns sons característicos deste dia: garotos jogando bola na quadra do condomínio e gritando os típicos palavrões de um baba; um som mais ou menos distante de músicas populares (forró, axé, funk etc) a sair das caixas de som de um carro estacionado em frente a um bar; fogos de artifício bem longe (talvez um jogo do Bahia ou do Vitória); passarinhos cantando; conversas aqui e acolá soando como barulhos sem sentido; buzinas de carro na volta da praia etc. Durante os dias úteis, sentado em frente ao pc como agora estou, os sons são outros, com exceção dos pássaros a cantar: um ribombar estridente do bate-estaca de uma construção aqui perto; o barulho do cortador de grama no jardim; muitos carros; o som da ausência de crianças na quadra e no parque; o tremendo soar da tristeza etc. Sim, pois os dias úteis são os dias mais inúteis para a vida humana. São os dias-máquina (&lt;a href="http://www.lowmorale.co.uk/"&gt;ver aqui&lt;/a&gt;), onde nossas ações são programadas segundo vontades alheias. Na terça-feira já estão todos a pensar que a sexta-feira está chegando e assim se reconfortam. O interessante é que com a reestruturação produtiva do toyotismo e a flexibilização e precarização do trabalho, bem como a diminuição de sua oferta em seu respectivo mercado, o grande sonho das pessoas é, hoje, manter-se neste mundo dos dias-máquina. A ausência do trabalho já não significa a realização do Ser, mas, pelo contrário, a condição do não-Ser. E alheios a tudo isso, os garotos continuam a jogar bola e eu aqui, tentando mudar o mundo na frente do computador.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115731205537875431?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115731205537875431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115731205537875431&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115731205537875431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115731205537875431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/09/dos-cotidianos-distintos.html' title='Dos cotidianos distintos'/><author><name>Felippe Ramos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115728783276058652</id><published>2006-09-03T09:05:00.000-03:00</published><updated>2006-09-03T09:50:32.773-03:00</updated><title type='text'>O pátio de Durkheim...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;O post anterior do meu grande amigo Scarlato - leiam-no primeiro -, me incentivou a escrever esse aqui. Falarei ainda do pátio Raul Seixas, da faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBa, o famoso pátio de São Lázaro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;O pátio de São Lázaro é um pátio democrático, que comporta várias tribos e movimentos sociais, desde homossexuais, movimento negro, inúmeros partidos esquerdistas ou de esquerda (sic) -segundo meu também amigo Fellipe, devemos usar esse "sic" ao falarmos de esquerda hoje-, movimentos feministas, cults, entre outros. Entretanto, o pátio só é democrático para os que estão dentro do que é considerado alternativo e vanguardista. Nada de movimentos ou tribos da burguesia, pagodeiros, axezeiros, ou quaisquer outras manifestações do que, fora de São Lázaro, é o padrão. São Lázaro é o lugar do não padrão, do diferente, do alternativo e, não podemos esquecer, do revolucionário. São Lázaro é um lugar revolucionário e é por isso que alguns de meus companheiros de Faculdade acham que todo cuidado com a CIA é pouco. E eu alerto: Cuidado senhores por onde andam, pois o capital os espreita!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Mas, voltemos. O pátio de São Lázaro - e o utilizamos como uma espécie de metonímia -, ou melhor, os alunos de São Lázaro se consideram como a vanguarda dos movimentos sociais e por essa prepotência acabam cometendo os mesmos atos que seus inimigos cometeram no passado. São obviamente evolucionistas sociais, embora critiquem o evolucionismo de direita. Devo lembrar, não falo aqui em termos propriamente políticos, mas comportamentais e de visão de mundo. O famoso "ser e estar" no mundo. Os alunos de São Lázaro se consideram a obra prima da sociedade, os intelectuais, esclarecidos, que não ouvem músicas toscas e freqüentam toda uma sorte de lugares cults e intelectuais. São sectários ao extremo e autoritários também. Estudam o relativismo cultural e o descentramento antropológico, mas acham que ele só deve funcionar para as chamadas sociedades simples. Não compreendem que o mundo urbano são vários mundos dentro de um só. São homogeneizadores da realidade social. Se dependessem deles só existiriam "intelectuais" como eles. Mas, que "piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii", "cara...piiiiiiiii" de cientistas sociais, principalmente, são esses? Como estudar a realidade social negando a existência do outro, sendo preconceituoso e etnocêntrico? Porque o que se faz lá é exatamente negar a existência do outro. O projeto de mundo dessas pessoas não é estudar a realidade social no estado em que ela se encontra - e vejam que utilizei o termo estudar, pois para qualquer mudança de qualquer cunho, a compreensão do funcionamento da sociedade é condição &lt;em&gt;sine qua non&lt;/em&gt; -, eles querem transformar a sociedade e obrigar as pessoas a mudarem seu &lt;em&gt;modus vivendi&lt;/em&gt; para se tornarem iguais à "vanguarda comportamental", sem qualquer tipo de diálogo com a sociedade, porque negam a existência do outro. Nesse ponto, são fascistas também. Tenho até medo do que aconteceria se essas pessoas chegassem ao poder.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Mas, sabe o que é pior desse posicionamento? É que ele é fundado no (pré)conceito, como já disse, e na negação dos padrões do outro, o famoso etnocentrismo. Essas pessoas julgam os outros a partir de suas visões de mundo e de seus parâmetros de conhecimento. Mas, tem um fato importante nessa questão. Independente de relativizar a academia ou não, os alunos que mais têm a atitudes descritas acima, são os alunos mais medíocres e ignorantes da faculdade. São aqueles que fundam a sua pauta de mediação simbólica em termos comportamentais pre-estabelecidos e se fecham no seu mundo. Geralmente, esses alunos não querem estudar e se importam mais com a "Raive" (como é que se escreve isso?) e maconha, ou com as leituras do partido, do que com a academia. Qualquer associação, na minha opinião, não é mera coincidência. O que quero dizer é que essas pessoas são IGNORANTES. Pronto, é isso o que acho delas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;O pátio de São Lázaro, que é a materialização espacial dessas pessoas, é o projeto acabadíssimo da consciência coletiva de Durkheim. Tente entrar lá com a camisa de ACM 25, ou tocando um pagodão no cavaquinho ou no pandeiro, aliás, coisas que eu já imaginei seriamente em fazer, apenas para ver o que acontecia. Imagine eu entrando lá nessa época de eleição com a camisa de Paulo Souto 25 - que foi proibida, mas mantenha a imaginação sociológica -, e tocando do de algum som, venha... venha... venha...; pegue na minha e balance... pegue na minha e balance... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115728783276058652?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115728783276058652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115728783276058652&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115728783276058652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115728783276058652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/09/o-ptio-de-durkheim.html' title='O pátio de Durkheim...'/><author><name>Rafael Arantes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12909663327175774884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115708053463315322</id><published>2006-08-31T23:37:00.000-03:00</published><updated>2006-09-01T00:18:03.763-03:00</updated><title type='text'>Sobre piriguetes e repolitização...</title><content type='html'>As eleições se aproximam. Como deixar de contemplar com um post essa conjuntura política tão incentivadora do sarro (ou do desespero)? Sim, pois bem. Vinha eu hoje admirando tranquilamente a já típica poluição visual oferecida pelos nossos candidatos... Sempre achei interessantissímo o simbolismo presente na nossa política. Estamos sempre em busca do Messias, daquele cara que vai descer do céu com a revelação e salvar a tudo e à todos. Tanto é que os slogans são todos do tipo "esse é do povo", ou "pela saúde, educação, e contra a corrupção, bla bla bla". É engraçado como somos levados, de um lado, ao individualismo, à um universo semântico ínfimo que nos afasta até mesmo dos mais próximos, e de outro continuamos inertes, olhando pra cima, esperando que venha de lá, verticalmente, a solução para nossas vidas, o que é um claro sinal de ânsia por autoritarismo. Peculiaridades do povo brasileiro... Já deu, e continuará dando, bons estudos. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas enfim, esse não era o foco( e como é fácil perder o foco nessa brincadeira de blogar...)! Voltemos à contemplação passiva da nossa singela poluição visual. Vinha eu analisando como aquilo era agressivo. Como se encaixava numa forma de fazer política que ignora a discussão, apresentando verdades prontas aos eleitores sedentos delas. Refletia sobre a falta de politização de nossa política, o que é fato. Enfim, vinha eu pensando um monte de coisas que só devem passar, nesse país, pelas cabeças de loucos que resolvem estudar sociologia, formalmente ou por conta própria. Sentindo-me então isolado do mundo, resolvi olhar pro lado. Busquei uma companhia, ainda que ela se limitasse a um simples olhar amistoso. &lt;br /&gt;Ela devia ter uns 20 e poucos. Estava com uma amiga sentada no banco logo atrás. Nesse exato momento em que buscava eu a bendita companhia, a moça jovem e notoriamente de classe média, virou-se para a amiga e soltou: " Olhe que cara de piriguete dessa loira? Ainda é capaz de ganhar, os homi tudo vota nessa porra!". A Loira "piriguete" era uma candidata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucas vezes me senti tão só no mundo... Olhando a situação com os olhos da Antropologia Simbólica, é fácil perceber que os sinais que me remetiam a uma série de conhecimentos acumulados serviam, para minha colega de banco, apenas de sinal para o significado "piriguete". Mas essa reflexão não me ajudou muito. No fundo, é duro perceber que se debruçar em questões sociológicas hoje em dia é colocar-se, necessariamente, fora do universo semântico da maioria esmagadora da população. Simbolos classificadores do contínuo real são usados diariamente por todos nós. Mas é igualmente duro perceber que "piriguete" ou "homem do povo" são os símbolos usados em decisões políticas, como o voto, no nosso país. Soluções? Não faço idéia.Talvez o ensino da sociologia no ensino médios eja um primeiro passo. Talvez. O certo é que a situação vivida despertou, ainda que por alguns instantes apenas, a vontade de não ver a dureza dessa realidade. De não pensar tanto... É fácil entender porque alguns teóricos do social tiraram as próprias vidas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de perceber tudo isso, larguei a teoria de lado um pouco. Por alguns instantes, me livrei da sociologia e da ciência política, e quis ser um  cara normal. analisei o nível de piriguetedade da cidadã... E não é que a bendita tem cara de piriguete mesmo???&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115708053463315322?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115708053463315322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115708053463315322&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115708053463315322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115708053463315322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/08/sobre-piriguetes-e-repolitizao.html' title='Sobre piriguetes e repolitização...'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115707005678854752</id><published>2006-08-31T20:21:00.000-03:00</published><updated>2006-08-31T21:20:56.820-03:00</updated><title type='text'>O bom e velho amor...</title><content type='html'>&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Falemos de amor! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Sobre esse assunto não seria necessário descrever a experiência cotidiana que me motivou a escrever sobre o tema - na verdade desabafar -, já que o amor é uma categoria onipresente na nossa vida diária. Mas, para que não me entendam mal, digo-lhes que pensei em escrever algo ao ouvir a música que reproduzo abaixo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;É Festa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Intérprete: Simone&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Composição: Ivan Lins e Paulo Cesar Pinheiro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Quando a gente ama faz qualquer loucura&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Só se pensa em cama, se perde a censura &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;A alma desembesta, é festa, é festa, é festa, é festa...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Até quando o sol raiar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Quando a gente gosta, gosta de anarquia&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Anda descomposta, fica mais vadia&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Faz o que não presta, é festa, é festa, é festa, é festa...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Até quando o sol raiar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Ah! Vale tudo na hora da gente amar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;E a gente diz coisas que nem ia imaginar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Me lambe, me morde, me arranha, me bate&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Ah! Isso não tinha que acabar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Quando a gente ama, ri de orelha a orelha&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Faz qualquer programa, o que der na telha&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Canta até seresta, é festa, é festa, é festa, é festa...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Até quando o sol raiar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Quando a gente gosta, some do analista&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Topa até proposta de ser naturista&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Ri de quem contesta, é festa, é festa, é festa, é festa...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Até quando o sol raiar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Ah! Vale tudo na hora da gente amar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;E a gente diz coisas que nem ia imaginar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Me lambe, me morde, me arranha, me bate&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Ah! Isso não tinha que acabar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Quando a gente ama anda mais risonha&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Vira mulher-dama, fica sem vergonha&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Traz isso na testa, é festa, é festa, é festa, é festa...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Até quando o sol raiar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Quando a gente gosta claramente assume&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;E se alguém encosta morre de ciúme&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Paga até sugesta, é festa, é festa, é festa, é festa...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Até quando o sol raiar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Bonita poesia, não?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Esse amor descrito é um tipo ideal, no sentido weberiano, e um tipo ideal, no sentido normativo, de juízo de valor, da nossa sociedade. Apesar do consumismo, da ênfase no materialismo, todos nós utilizamos o amor como uma categoria referencial nas nossas vidas, ainda que essa referência possa ser tomada negativamente. Entretanto, como qualquer tipo ideal, no sentido weberiano, esse amor descrito na música não existe em seu estado puro na realidade, ou seja, esse amor, que pelo menos a maioria de nós gostaria de sentir, nunca existiu, não existe e não vai existir. Se chocaram? Eu pareço um pessimista, mas não sou. Essa assertiva tem uma explicação muito simples e, nesse momento, esqueço o pretenso sociólogo, antropólogo ou cientista político ou qualquer coisa que for. Falo, nesse momento, como um ser moral e normativo, no sentido do "dever ser", que sou. Esse tipo ideal, no sentido moral agora, de amor não se tornará realidade pois nos esforçamos tanto para alcançá-lo e para sermos felizes, que nunca o seremos. Vivemos quase que obrigados a sermos felizes e a amar, tanto que quem nunca amou, ou acha que nunca amou, ou qualquer coisa que isso queira dizer, se sente excluído da sociedade, um ser diferente, digno de pena. Um &lt;em&gt;outsider&lt;/em&gt; do amor, não é uma coisa engraçada? Mas, quem inventou que devemos ser felizes e amar? Putz, quem foi que nos obrigou a essa corrida tão infeliz e dolorosa? Se sofremos tanto na busca de amar e de ser feliz, não era mais lógico que deixássemos de buscar e, logo, seríamos feliz, porque não sofreríamos? Mas, calma. Estamos ainda no meio da digressão. Passando da busca incessante pelo amor, chegamos ao estágio em que o amor já foi encontrado. Pensariam alguns, que ótimo, agora já posso ser feliz. Mas não, o amor, geralmente, lhes traz mais problemas e sofrimentos do que felicidades, ou pelo menos, a felicidade nunca é plena e constante, é fugaz e incipiente. Só se percebe que estava feliz, quando a felicidade já passou e se está sofrendo novamente. Nunca conseguimos ser felizes no amor, porque esperamos tanto por esse momento que nunca estamos satisfeitos com o resulto. Mas o amor, já diria o poeta que eu não sei quem é e não sei se é poeta ou se é fruto de filosofia de botiquim, não é amor se não houver sofrimento. Eu hein, o amor é mórbido... e complicado. Até escrever sobre ele deixa a gente triste e confuso. Mas, enfim, cheguei a uma conclusão: o amor foi inventado para que sofrêssemos e não que possamos ser felizes, ou melhor, o amor nos deixa felizes, ao nos fazer tristes e, nesse tempo, ocupados com nossos sentimentos particulares - felicidade, amor, sofrimento, desventura, tristeza, raiva, ódio, etc. -, vamos densenvolvendo o nosso individualismo, a obra prima da modernidade ocidental!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115707005678854752?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115707005678854752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115707005678854752&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115707005678854752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115707005678854752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/08/o-bom-e-velho-amor.html' title='O bom e velho amor...'/><author><name>Rafael Arantes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12909663327175774884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115684929666214017</id><published>2006-08-29T07:31:00.000-03:00</published><updated>2006-08-29T08:01:36.673-03:00</updated><title type='text'>O que é pior?</title><content type='html'>&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Começo com uma assertiva básica: Todos os citadinos, ou pelo menos a maioria deles, são "tabaréis" urbanos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;A heterogeneidade de mundos  tanto físicos, no sentido espacial da palavra, como simbólicos e culturais, faz com que as pessoas percam a dimensão da sua cidade. As pessoas não conhecem a sua cidade e viajar dentro dela, &lt;em&gt;mutatis mutandis&lt;/em&gt;, pode ser comparada às viagens dos primeiros "antropólogos", em busca do exótico. Não acredito que seja necessário chegar àquela viagem do xamã proposta por DAMATTA. Aquela em que o estudioso viaja para dentro dele mesmo, na tentativa de transformar o familiar em exótico. Na cidade "grande" e "complexa", qualquer pessoa criada num bairro de classe média ou criado num bairro popular que se ache no contexto totalmente oposto terá, num tom de hipérbole, quase que a mesma impressão de Colombo, ao ver os índios, salvo a exceção de que essas pessoas, provavelmente, já viram esses mundos diversos na televisão. Se não fosse a televisão ou o imaginário coletivo, não seria necessário aquele &lt;em&gt;mutatis mutandis&lt;/em&gt; ali em cima.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Mas, vamos ao tema desse post. O que é pior, um citadino da classe média que ignora o restante de sua cidade por não precisar dela em nenhum momento ou um citadino de classe média esclarecido (igual aos déspotas) pelo conhecimento sociológico, mas que continua ignorando a realidade social cotidiana do restante da sua cidade?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Vejam o que escrevi em um diário de campo quando fui a primeira vez a um dos bairros populares em que estou trabalhando:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt; "O que vimos foi um mar de casas disformes e amontoadas, dando a impressão de um verdadeiro mar de pobreza."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;"Essa segunda visita nos mostrou também que a impressão que tivemos na primeira visita foi exagerada em se falar de um mar de pobreza. A área possuía várias ruas asfaltadas, casas de bloco, de certa forma consolidadas e possuía também um pequeno edifício bem estruturado. A despeito dessa consolidação, é possível considerá-la uma área popular de invasão pela própria arquitetura das casas, com quatro pilares chamados de palito e com uma construção fechada, chamada de caixão. Além disso, a falta de espaços, de áreas verdes e a verticalização revelam também características de maior pobreza do lugar."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Falando do segundo bairro:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;"Descendo essa rua, avistamos algumas casas disformes, feias e superpostas nas encostas. Entretanto, nessa área o seu número era menor. Na verdade, nas áreas percorridas, presumi-se que as áreas antes consideradas invasões, devido à própria luta da comunidade, foram melhorando aos poucos e não têm mais aspectos do que geralmente se entende como favela, ou seja, em todo o caminho percorrido não avistamos nenhuma invasão ou favela tão grande, talvez pela topografia e tamanho do lugar, que favorece a dispersão das invasões."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;"Na volta, refletimos e compreendemos que o próprio estigma criado pela sociedade nos fez pensar que íamos encontrar grandes favelas, o que não ficou claro, pelo menos nos lugares onde andamos."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;O que é pior, portanto, o etnocentrismo da classe média que ignora o seu meio circundante, estigmatizando os pobres como classes perigosas e as favelas ou invasões como o reduto do crime organizado ou o estigma materialista de uma classe que se julga intelectual e que acha que as novas formas do desenvolvimento do capitalismo tendem uma produzir maior polarização social?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115684929666214017?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115684929666214017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115684929666214017&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115684929666214017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115684929666214017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/08/o-que-pior.html' title='O que é pior?'/><author><name>Rafael Arantes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12909663327175774884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115671718994959283</id><published>2006-08-27T19:19:00.000-03:00</published><updated>2006-08-27T19:23:31.976-03:00</updated><title type='text'>Quando nem o meu horror é meu só...</title><content type='html'>Eu odeio hospitais. A explicação para tal sentimento pode tomar vários caminhos. Gosto, particularmente, de dois. Um seria considerar uma inclinação natural: as pessoas vão a um hospital quando não estão bem, logo, o instinto de preservação manda fugir deles, enquanto é possivel. Mas essa explicação é por demais genérica e acaba me remetendo a um sentimento de não-exclusividade em relação aos que me cercam, e isso em uma sociedade capitalista dos "seres individuais", e do "estilo próprio", pode me levar a um suicídio. O outro é mais subjetivo ( e, felizmente, me parece mais "individual"): tenho horror a climas tensos, de qualquer espécie. Não é medo da morte, não mesmo. Isso seria natural demais, também. Eu não suporto o limite entre o sofrimento e o alívio, intríseco a qualquer ambiente de tensão. Prefiro sofrer logo, ou aliviar-me logo. Alguém poderia dizer que a tensão já é uma maneira de sofrer, e que todo mundo sofre com a tensão, mas eu não consigo sofrer enquanto estou tenso, e me apego nesse mínimo detalhe que eu mesmo forjei pra assegurar minha individualidade. Sim, eu sou humano. Mas só naturalmente humano.&lt;br /&gt;Bem, acontece que, dia desses, vindo da faculdade, recebi um chamado de emergência familiar. Não interessa entrar em detalhes. Interessa que tive de ir a um hospital. Classe média, arrumadinho. Até o cheiro característico era bem disfarçado. Enfim, resolvi aproveitar a situação inevitavelmente desagradável e fazer algo de útil. Comecei a observar pessoas que, notadamente, eram frequentadoras assíduas daquele ambiente. Foi ficando engraçado... São pessoas obviamente debilitadas, algumas com a morte a bater na porta. Contudo, o que menos se vê é tristeza, ao menos tristeza exposta. Para além das conjecturas possíveis, achei relevante a familiaridade que aquelas pessoas têm com um ambiente que a mim me parecia tão assustador. Elas passeiam pelos corredores, brincam com os funcionários, comemoram os gols da Copa do Mundo em frente à tv. E aos poucos meu horror foi se transformando em curiosidade, e depois, em conformismo. Pensei cá com os meus botões, " o próximo passo é tranformar esse conformismo em felicidade!". Quis correr. Meu tão peculiar ódio por hospitais estaria indo embora. Depois, passado o susto, ri sozinho lembrando de umas aulas de antropologia. Bastaram algumas horas pra que eu tranformasse aquele ambiente confuso em um conjunto ordenado de idéias e conceitos e, ao perceber que quase ninguém "sofria" ali, o horror que parecia ter raizes naturais - ou apenas individuais -, sumiu. A interação social o fez desaparecer. Quando dei por mim, já estava quase gostando do lugar, das companhias... A conclusão óbvia é que aquele horror outrora citado como só meu, ou apenas um vestígio de instinto de sobrevivência, não poderia desaparecer assim, sendo um ou outro. O horror era cultural, e pautado num preconceito. Portanto, nunca fora só meu!&lt;br /&gt;O ser humano é absurdamente anti-natural. Como pode, algum ser vivo, se divertir num hospital? E, afinal, como pode um terror, o mais evidentemente natural, ser desmascarado, simples assim, como um preconceito socialmente forjado? O temor que quis que fosse exclusivamente meu, é social e culturalmente construído? Definitivamente, antropologia não combina com os tempos de "Malhação", MTV e RBD. Eu quero ser exclusivo. Eu quero ser eu mesmo! Eu quero ser só naturalmente humano! Mas a antropologia não deixa. Ah, que saco! Vou dormir, pra esquecer...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115671718994959283?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115671718994959283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115671718994959283&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115671718994959283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115671718994959283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/08/quando-nem-o-meu-horror-meu-s.html' title='Quando nem o meu horror é meu só...'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33439058.post-115670912036228252</id><published>2006-08-27T16:17:00.000-03:00</published><updated>2006-08-27T17:51:04.150-03:00</updated><title type='text'>Boas surpresas que os encontros nos proporcionam!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quero começar com uma agradável surpresa que tive na sexta passada e que me motivou a fazer esse blog. Digo agradável no sentido moral e político do termo. Digo político no sentido moral e essencialmente relativo a valores, embora a ação instrumental já tenha tomado quase todo o terreno da ação comunicativa e simbolicamente mediada, fazendo com que a política hoje seja mais gerida em termos de uma ação racional com relação a fins do que com relação a valores. A política passa, cada vez mais, a ser guiada pelo sujeito auto-interessado, se é que sempre não foi guiada por ele. Mas, ideologias ou idealizações, não é esse o tema a que me dedico nesse momento. Quero compartilhar com vocês a agradável surpresa que tive neste dia. Estava fazendo algumas entrevistas em um bairro popular de Salvador para a minha monografia de fim de curso. Pois bem, comecei a entrevistar uma senhora dentro de sua casa e a sua filha, algumas vezes, dava suas opiniões a resposta. Em termos de estrutura urbana, a casa não era deficiente. Apesar de auto-construída, a casa era verticalizada e parecia ser de boa qualidade. Entretanto, o conteúdo social da casa, era sim, relativamente precário. A família, ou grupo doméstico, para os que preferem, é composta por 11 pessoas. O responsável pela família é o marido da senhora descrita. Ele só concluiu o primário e é pedreiro, tendo, entretanto, carteira assinada e ganhando um salário mínimo por mês. A senhora estudou até a 8º série e realiza os afazeres domésticos. Essa filha que estava em casa tem 18 anos, é casada, tem dois filhos, estudou só até a 8º série e está desempregada, tendo sofrido críticas da mãe quando respondeu que estava procurando emprego. O comentário da sua mãe foi instantâneo: "Como procura emprego se acorda e fica aí na frente da televisão?". Mas, essa descrição ainda não é o objetivo desse post. Apenas a realizei para mostrar o conteúdo social dessa família e a média, por assim dizer, do capital cultural e educacional da mesma. O que me chamou mais atenção foi quando perguntei a essa senhora se achava o bairro dela violento. Ela pensou um pouco e disse que não. Todavia, sua filha falou imediatamente: "É claro que é violento, mainha é "loura"." No popular, a filha acabara se chamar sua mãe de burra. Educadamente, a senhora terminou de responder a pergunta, concordando com a filha, ainda meio duvidosa. Depois de ter respondido, se voltou para a filha e disse: "Olhe, nunca mais diga isso! Eu posso ser burra, mas sou negra!". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Essa reposta tão rápida e espontânea me impressionou, pois mostrou que essa senhora tem tanto orgulho da sua raça (ou etnia?) que quis marcar ali mesmo para a filha e para nós. Por acaso, será coincidência que, ali perto, exista um terreiro de candomblé do qual essa senhora faz parte? Digo, esse terreiro, além de reafirmar os valores da matriz africana da cultura brasileira, realiza trabalhos sociais e distribui alimentos no bairro, sendo vinculado a uma ONG que faz parte do Conselho de Segurança Alimentar, vinculado ao Fome Zero. Mesmo não sendo nem um pouco integrado as linhas de estudos raciais e obtendo meu conhecimento com terreiros apenas dessa experiência cotidiana, percebo que esse terreiro representa um verdadeiro capital social para essa comunidade popular, periférica e sub(urbana) no sentido literal da palavra. Esse capital social, fruto da articulação em uma rede social de solidariedade e confiança, conseguiu suprir o diminuito capital cultural familiar, pelo menos nessa questão de identidade racial. Digo suprir, pois era de se esperar que uma identidade racial tão forte surgisse de uma família ou de uma pessoa com um capital cultural maior, por assim dizer. Ou será que estou sendo preconceituoso e etnocêntrico? (Espero críticas)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Raciociando a posteriori, e após ter escrito esse post, vi que a minha surpresa foi a mesma que tive quando percebi que os bairros populares não eram favelas desorganizadas e miseráveis, tal qual estava esperando quando lá entrei pela primeira vez para realizar os trabalhos de campo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cenas dos próximos capítulos: Etnocentrismo da classe média urbana e o tabaréu urbano!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33439058-115670912036228252?l=vivendocotidianamente.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/feeds/115670912036228252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33439058&amp;postID=115670912036228252&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115670912036228252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33439058/posts/default/115670912036228252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2006/08/boas-surpresas-que-os-encontros-nos.html' title='Boas surpresas que os encontros nos proporcionam!'/><author><name>Rafael Arantes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12909663327175774884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
